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O efeito Dubai, que ontem recolocou no cenário global o sentimento de aversão ao risco, é sentido hoje com intensidade pelo mercado norte-americano, que retorna do feriado de Ação de Graças. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e nos mercados europeus, um possível default (inadimplência) na estatal World Dubai foi precificado ontem e, por isso, a expectativa é de que o impacto negativo nos preços seja mais contido.

Às 11h14, o índice Bovespa (Ibovespa) recuava 0,28%, para 66.207 pontos.

Um bom teste hoje para a Bovespa será a abertura dos negócios com os recibos de ações brasileiras (ADRs) em Nova York, às 12h30. Ao longo do dia, o comportamento do mercado de ações brasileiro será pautado pela leitura que os investidores fizerem do problema em Dubai. Além disso, os investidores aguardam informes sobre as vendas das lojas nos Estados Unidos nesta Black Friday (sexta-feira negra), que marca o início da temporada oficial de compras de fim de ano.

Além do ajuste das Bolsas norte-americanas, pesa nos negócios as incertezas sobre uma possível moratória de Dubai, em um momento em que os bancos ainda estão fragilizados pela crise financeira. A preocupação do mercado é com o tamanho da exposição de bancos e empresas em ativos de Dubai. "Se este é um evento isolado, nós não sabemos ainda. Distúrbios financeiros se espalham como ondas surdas no tecido econômico e é imprecisa sua evolução", destacou o relatório de hoje da Gradual Investimentos. "O aumento da percepção de risco daquele país pode contaminar os bancos credores da Dubai World e jogar o mundo em mais uma rodada de pessimismo e insegurança."

A queda projetada pela Bovespa reflete ainda o desempenho negativo das commodities (matérias-primas), que mostram fraqueza em meio à recuperação do dólar.

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