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O otimismo ressurge no primeiro pregão de dezembro, amparado em boas notícias vindas principalmente da Ásia, que apontam para a consolidação da retomada da economia mundial, ao mesmo tempo em que esfriam os temores em relação à dívida do conglomerado Dubai World. O ambiente hoje, portanto, favorece a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que tem condições de atingir os 68 mil pontos, renovando a máxima do ano, enquanto assimila a nova carteira teórica que vai vigorar entre janeiro e abril.

Às 11h07, o índice Bovespa (Ibovespa) subia 1,34%, aos 67.945 pontos.

A preocupação sobre a situação em Dubai diminuiu ontem à noite, após a estatal informar que iniciou negociações com os bancos credores sobre uma dívida de US$ 26 bilhões. Com isso, o apetite ao risco voltou e encontra sustentação hoje nos dados divulgados na China, indicando expansão da atividade industrial pelo oitavo mês consecutivo. O índice de atividade industrial dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês), divulgado pelo banco HSBC, subiu para 55,77 em novembro, de 55,4 em outubro. "A melhora sustentada do PMI do HSBC sinaliza que a recuperação da China se consolidou", disse Qu Hongbin, economista-chefe do HSBC para o país.

As medidas extraordinárias anunciadas pelo Banco do Japão, com injeção de cerca de US$ 115 bilhões no sistema financeiro, também contribuem para o clima positivo do dia. Na Austrália, o banco central promoveu a terceira elevação consecutiva de juro. A alta das commodities deve puxar os preços de Petrobras e Vale. No caso da mineradora, destaque ainda para a previsão do UBS de que os preços de referência do minério de ferro para 2010 deverão aumentar 20% em relação aos deste ano, sustentados pelo vigor da produção siderúrgica chinesa.

"Os mercados estão com liquidez e que não será enxugada no curto prazo. E a tendência é que essa liquidez se mantenha, especialmente após o Japão injetar recursos no sistema financeiro", afirma o diretor da Ágora, Alvaro Bandeira, acrescentando que o problema em Dubai foi superestimado e não tem força para reverter o processo de recuperação da economia global.

A Bovespa só tem a ganhar com esse cenário, mas os analistas observam que dezembro não deverá ser um mês de grandes operações, ainda marcado pela volatilidade. Com a alta acumulada pela Bovespa no ano de 78%, dificilmente os investidores vão querer arriscar esse ganho. "Ninguém quer derrubar, mas não quer arriscar. Dezembro vai ser um mês bom, mas não será maravilhoso. Pode haver alguma pressão de venda de quem quer garantir os bônus de final de ano, mas a liquidez internacional deve engolir essa pressão", destaca Bandeira.

Após o começo de dia benigno, o mercado espera que os dados que serão divulgados nos Estados Unidos corroborem esse otimismo. As atenções se voltam para as vendas de automóveis nos EUA em novembro pelas montadoras. Às 13 horas, saem três indicadores: o dado de atividade industrial de novembro, os gastos com construção em outubro e as vendas pendentes de imóveis residenciais, também de outubro.

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