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As principais bolsas européias terminaram em queda, atingidas por incertezas sobre o destino do plano de resgate aos mercados financeiros elaborado pelo governo dos EUA e pela revisão para baixo da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano. Com as discussões em Washington caminhando no fio da navalha, é preciso um corretor corajoso, ou imprudente, para terminar a sessão com uma quantidade significativa de posições de risco em aberto, disse Simon Denham, diretor da Capital Spreads em Londres.

Os líderes do Congresso dos EUA tentam salvar um pacote de medidas de US$ 700 bilhões para auxiliar Wall Street após parlamentares republicanos discordarem de algumas das propostas e se recusarem a negociar. Num esforço para diminuir as tensões, alguns dos principais bancos centrais coordenaram uma nova operação de injeção de liquidez nos mercados financeiros que incluía um aumento na oferta de dólares pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano).

A revisão do PIB dos EUA no segundo trimestre foi outro golpe desferido sobre o mercado. A taxa de crescimento foi reajustada para 2,8%, ante estimativa preliminar de 3,3%. Os economistas também esperavam avanço de 3,3%. Outra notícia que colaborou para o pessimismo foi a falência do Washington Mutual, um dos maiores bancos de empréstimos e poupança dos EUA, que foi adquirido em seguida pelo JPMorgan Chase por US$ 1,9 bilhão.

Na Bolsa de Londres, o índice FTSE-100 encerrou em baixa de 108,5 pontos (-2,09%), a 5.088,5 pontos. Entre as mineradoras, BHP Billiton teve declínio de 4,93% e a Rio Tinto de 5,96%. Na semana, o FT-100 acumulou uma queda de 4,20%. Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 63,43 pontos (1,50%), para 4.163,38, acumulando uma queda de 3,73% na semana.

O índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, recuou 109,53 pontos (-1,77%), para 6.063,5 pontos, e acumulou queda de 2,04% na semana. O índice IBEX-35, da Bolsa de Madri, terminou em baixa de 50,70 pontos (0,44%), para 11.387,9 pontos, e acumulou queda de 1,47% na semana. A Repsol subiu 0,5% em meio a rumores de que um novo investidor poderia comprar ações da empresa.

Os bancos sofreram declínio acentuado no preço das ações, com destaque para o banco holandês Fortis, que caiu 20,92% na Bolsa de Amsterdã por conta de rumores sobre problemas de liquidez na instituição. "A falência do banco está fora de questão", afirmou Herman Verwilst, diretor-executivo do Fortis, acrescentando que o preço atual dos papéis não refletem o verdadeiro valor da companhia.

Em Londres, o banco Lloyds caiu 8,14%, o Royal Bank of Scotland 5,67% e o HBOS 5,82%. Na França, o Crédit Agricole recuou 6,13%, enquanto o Unicredit, da Itália, perdeu 3,18%. Na Alemanha, o Commerzbank caiu 7,33% e a Hypo Real Estate 9,77%. O Deutsche Bank teve queda de 1,96%.

As ações de montadoras também foram prejudicadas pela deterioração do cenário macroeconômico e pelo declínio na confiança do consumidor. A corretora Merril Lynch previu uma queda de 6.1% no volume de vendas de automóveis da Europa Ocidental em 2008 e de 5,1% em 2009. Na Alemanha, a Daimler caiu 2,4% e, em Paris, a Renault perdeu 1,58%.

"Observando a magnitude dos declínios nas vendas de automóveis dos EUA nos últimos 18 meses, não é impossível imaginar um cenário em que os volumes da Europa Ocidental também diminuiriam", avaliaram analistas do Merrill Lynch. As informações são da Dow Jones.

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