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Após o frenesi dos mercados globais ontem, as bolsas norte-americanas abriram em baixa hoje. A União Europeia e o FMI colocaram sobre a mesa quase US$ 1 trilhão para defender o euro e evitar contágio da crise da dívida soberana grega por outros países da região.

Após o frenesi dos mercados globais ontem, as bolsas norte-americanas abriram em baixa hoje. A União Europeia e o FMI colocaram sobre a mesa quase US$ 1 trilhão para defender o euro e evitar contágio da crise da dívida soberana grega por outros países da região. O resgate anunciado serviu para levar as bolsas nas alturas ontem - com ganhos de 3,90% (Dow Jones), 4,81% (Nasdaq) e 4,40% (S&P 500) - mas hoje impera o medo de risco moral na Europa. Além disso, os motores chineses parecem estar aquecidos demais e a inflação preocupa. Às 10h35 (de Brasília), o Dow Jones caía 0,68%, o Nasdaq perdia 0,99% e o S&P 500 recuava 0,82%.

"Infelizmente, passamos a acreditar que colocar dinheiro em cima de um problema é o mesmo que resolvê-lo. A cultura de resgate coletivo, que permite gasto livre de proprietários de casas, corporações e países acima de suas possibilidades, sem que haja consequências, irá prolongar o período de retração econômica", disse ontem à Agência Estado Jonathan Hoenig, gerente de carteiras do Capitalistpig Hedge Fund, de Chicago. Isso vale para a Europa e vale para os EUA. "Os Estados Unidos vão pagar as contas pelos resgates do Fannie, Freddie, AIG e outras intervenções por muitas décadas", disse.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) em relatório divulgado hoje, diz acreditar que a economia europeia terá retomada tênue neste ano e no próximo, com aumento da taxa do desemprego, e que é essencial que os governos coloquem o foco nos problemas de longo prazo e assegurem maior disciplina fiscal.

As incertezas na zona do euro devem atrasar, inclusive, o início do ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos, acreditam alguns analistas. O Morgan Stanley e o RBS, que esperavam alta dos juros em setembro deste ano, revisaram suas projeções e agora estimam que o Fed irá manter os juros na faixa de 0% a 0,25% até o início de 2011.

O presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker, no entanto, disse que o BC norte-americano deve ter cuidado para não esperar demais para começar a subir os juros, uma vez que a economia já se mostra mais firme. "De fato, o público aparentemente espera inflação maior no futuro, o que sugere que as autoridades monetárias devem ser cautelosas e não esperar demais para subir os juros".

Se a Europa preocupa pela fraqueza, a China, pela força. Dados divulgados hoje mostram inflação mais alta do que o esperado, preços de imóveis altos e bancos emprestando demais, sinais de que o governo chinês terá que tomar mais medidas para conter o vigor econômico e que reaquecem a discussão sobre necessidade de valorização do yuan. Hoje, a moeda atingiu o menor nível em três meses em relação ao dólar.

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