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As principais bolsas européias terminaram o pregão de hoje em alta, em meio ao otimismo de que um pacote revisado de auxílio ao mercado financeiro pelo Congresso dos Estados Unidos será aprovado nos próximos dias. O mercado acionário europeu também reagiu bem à intensificação das ações entre os governos e bancos centrais no sentido de apoiar o setor bancário.

Um dia antes da divulgação da decisão do Banco Central Europeu (BCE) sobre a taxa básica de juros na zona do euro (15 países europeus que compartilham a moeda), a instituição alocou US$ 50 bilhões em operação de recompra por um dia (overnight). O Banco da Inglaterra (BoE, o banco central inglês) realizou operação adicional para dar mais US$ 30 bilhões em recursos para uma semana.

Além disso, após as medidas tomadas ontem pelo governo irlandês - para garantir os depósitos bancários -, parlamentares da França devem anunciar um plano de estabilização do sistema financeiro do país até sexta-feira (dia 3). As ações do Crédit Agricole subiram 3,06%, enquanto as do Société Générale avançaram 1,98%. Ao mesmo tempo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, solicitou uma reunião com os representantes do G-8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) para discutir o aprofundamento da crise no sistema financeiro global.

"Estamos nos aproximando do fim da linha: ou teremos o derretimento financeiro mundial ou uma recapitalização em larga escala financiada pelo governo. A História sugere o último", disse o analista do UBS, Philip Finch, em um comunicado.

Em meados do pregão, a divulgação do índice de atividade industrial nos EUA pesou sobre as bolsas européias. O indicador recuou para 43,5 em setembro, menor leitura desde outubro de 2001, informou hoje o Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) - sinalizando a possibilidade de uma recessão nos EUA. Em agosto, o ISM foi de 49,9 e economistas esperavam queda para 49,5 em setembro.

A mineradora anglo-suíça Xstrata desistiu de comprar a sul-africana Lonmin por 5 bilhões de libras (US$ 9 bilhões), mencionando custos muito elevados para o financiamento, o que contribuiu para reforçar o alcance da crise de deterioração do setor bancário. Apesar disso, a Xstrata elevou a participação na Lonmin para 24,9%, tornando-se a principal acionista da terceira maior produtora mundial de platina. Os papéis da Xstrata caíram 1,92% em Londres, enquanto os da Lonmin recuaram 20,27%.

Na Itália, o banco Unicredit disse que melhoraria o balanço por meio da cisão de alguns de seus ativos imobiliários. A instituição também acrescentou que não considera mais a possibilidade de uma parceria com um banco de investimentos internacional. As ações subiram em 11,09% em Milão, após encerrarem com queda acentuada nas últimas duas sessões.

Na Suíça, o banco UBS ganhou destaque com rumores de que a instituição pretende cortar 1.900 empregos. O UBS não quis comentar sobre o assunto e as ações subiram 6,72% em Zurique.

Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 1,17%, para 4959,6 pontos. A Standard Life Investments, unidade de gestão de investimentos do grupo de seguros Standard Life, afirmou que apóia a compra da cedente de hipotecas HBOS pelo banco Lloyds. A Standard Life é acionista nas duas instituições. A HBOS subiu 21% e o Lloyds 10,38%. O Royal Bank of Scotland terminou em alta de 0,56%.

O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, encerrou em alta de 0,56%, para 4.054,54 pontos. A ArcelorMittal recuou 4,94% e a Alcatel-Lucent subiu 4%. A Peugeot e a Renault tiveram declínio de 3,56% e de 3,53%, respectivamente.

Em Frankfurt, o índice DAX terminou em queda de 0,42%, para 5.806,33 pontos. A Daimler perdeu 8,55% em meio a especulação de alerta nos lucros, negada pela empresa. O Commerzbank subiu 16,54% e a Hypo Real Estate 13,25%.

O índice Ibex-35, da Bolsa de Madri, subiu 1,77%, para 11.182,50 pontos. A Sacyr-Vallehermoso liderou os ganhos, com alta de 13,03%, após receber recomendação de compra do Goldman Sachs. As companhias do setor de energia renovável tiveram recuperação dos declínios recentes, com a Iberdrola Renovables avançando 3,59% e a Abengoa 2,04%. A Repsol caiu 0,24%, pressionada pelo declínio nos preços do petróleo.

A Bolsa de Lisboa, em Portugal, fechou em baixa de 0,42%, a 7.999 pontos. As informações são da Dow Jones.

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