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A sexta-feira foi de fortes movimentos na Bolsa de Valores de São Paulo. Além do dado de nível de emprego de novembro nos Estados Unidos surpreendentemente melhor do que as estimativas, o que tirou momentaneamente o índice Bovespa do negativo, os investidores também se depararam com o anúncio da fusão da Casas Bahia com o Pão de Açúcar.

Tudo isso, entretanto, foi insuficiente para sustentar o Ibovespa no azul.

O Ibovespa recuou 1,04% no fechamento, para 67.603,52 pontos. Na mínima, registrou 67.328 pontos (-1,44%) e, na máxima, em 69.361 pontos (+1,53%). Na semana, subiu 0,77%. No mês, acumula ganho de 0,83% e, no ano, de 80,04%. O giro financeiro totalizou R$ 7,356 bilhões. Os dados são preliminares.

O Ibovespa manteve na abertura de hoje o sinal negativo do fechamento de ontem, na expectativa do que seria divulgado pelo Departamento do Trabalho norte-americano no final da manhã. Mas a espera não foi enfadonha: a notícia de que o Pão de Açúcar comprou a Casas Bahia animou os negócios, fazendo disparar as ações da rede supermercadista e também da Globex, sua controlada.

Pelo anúncio feito pelas empresas, o Pão de Açúcar assumirá a Casas Bahia por meio da Globex, controladora da rede Ponto Frio, adquirida por ela recentemente, e ficará com 50% mais uma ação, enquanto a Casas Bahia terá, por enquanto, 47,84% das ações ordinárias (ONs) e 2,21% das preferenciais (PNs). A intenção de ambas, segundo comunicado, é que a Casas Bahia atinja uma participação de 49% no capital votante da Globex.

Na associação também serão consolidados, em uma ou mais sociedades, os negócios de comércio eletrônico de bens duráveis na Nova PontoCom, que hoje são explorados por Globex, Casas Bahia e Pão de Açúcar. Isso acabou pesando sobre as ações da sua principal concorrente do setor: B2W ON perdeu 4,77%, na maior queda do índice, enquanto Pão de Açúcar PNA liderou as altas, com 9,73%. Globex ON disparou 28,36%. B2W é a empresa de comércio eletrônico que reúne Americanas.com e Submarino.

Apesar dos números gigantes da operação, este negócio não teve força para conduzir o Ibovespa, que apesar dos números bastante favoráveis sobre o mercado de trabalho norte-americano, voltou a cair no início da tarde e seguiu assim até o final.

O mercado de trabalho dos EUA perdeu apenas 11 mil vagas em novembro, o melhor resultado desde dezembro de 2007, enquanto a previsão era de eliminação de 125 mil vagas. Além disso, a taxa de desemprego nos EUA, que estava em 10,2% em outubro e para a qual a expectativa era de estabilidade, caiu para 10% em novembro.

Com dados tão favoráveis em mãos, indício de que a economia americana está se recuperando mais rápido do que o previsto, os investidores anteciparam a expectativa do início do ciclo de aperto da taxa de juros nos EUA. O dólar também se valorizou. E, na troca de ativos, os preços das matérias-primas (commodities) é que foram para a fogueira. Daí a fraqueza do Ibovespa, que virou puxado pelas blue chips, embora a queda depois tenha se espalhando numa oportuna realização dos lucros acumulados.

Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o contrato futuro de petróleo com vencimento em janeiro terminou em baixa de 1,29%, a US$ 75,47 o barril. Na Bovespa, Petrobras ON caiu 2,02% e Petrobras PN recuou 2,29%. Vale ON caiu 1,84% e Vale PNA, -2,25%. O setor siderúrgico caiu em bloco: Gerdau PN, -1,04%, Metalúrgica Gerdau PN, -0,28%, Usiminas PNA, -0,49%, e CSN, -1,03%.

Além de Pão de Açúcar na liderança, as maiores altas do Ibovespa também ficaram com Cesp PNB (+3,16%) e TAM PN (+2,55%). Na outra ponta, B2W foi a maior perda, seguida de Celesc PNB (-4,37%) e Redecard ON (-3,45%).

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