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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu hoje financiamento de R$ 1,2 bilhão para a Mercedes-Benz aumentar a capacidade de produção da fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, de 65 mil unidades anuais para 75 mil até o fim de 2011. Na unidade, a empresa produz caminhões e ônibus.

Na cerimônia de assinatura do contrato, na sede do BNDES em São Paulo, o presidente da Mercedes-Benz no Brasil, Jürgen Ziegler, afirmou que o mercado brasileiro de caminhões deve comercializar 125 mil unidades este ano, um crescimento de 15% em relação a 2009. Já a companhia pretende ir além e ampliar sua produção em 30% neste ano. No ano passado, a empresa produziu 51,5 mil unidades para os mercados interno e externo. Neste ano, serão 68 mil unidades. No setor de caminhões, a Mercedes-Benz pretende elevar sua participação para 30% do mercado, ante 28,5% em 2009. No segmento de ônibus, a participação, hoje em 48%, deve chegar a 50%.

"Nosso vice-presidente executivo da Divisão Caminhões Mercedes-Benz Europa e América Latina, Hubertus Troska, já afirmou que o Brasil tem um grande potencial. Continuamos a acreditar no País", afirmou. A companhia também tem boas perspectivas para as exportações de caminhões e ônibus - um aumento entre 10% e 12% para caminhões e de até 40% para ônibus. A empresa prevê exportar 4 mil caminhões, ante 3 mil em 2009, e 12 mil ônibus, ante 6,5 mil no ano passado.

A expansão da capacidade de produção da fábrica de São Bernardo do Campo já estava prevista desde 2008, quando a companhia anunciou investimentos de R$ 1,5 bilhão até 2011 para esta finalidade. Com a crise, o plano foi suspenso. "Esta é a primeira vez em 50 anos no País que tomamos um financiamento do BNDES, o que nos ajudará bastante a manter nossos compromissos para os próximos quatro anos", afirmou Ziegler, sem revelar o prazo e a taxa de juros do empréstimo. "Reconhecemos a importância dos serviços do BNDES, instituição realmente comprometida para o suporte das atividades industriais no País."

Do total de R$ 1,2 bilhão que serão investidos na fábrica, 60% serão aplicados para aumento da produção e 30% em pesquisa e desenvolvimento de produtos, incluindo os motores a diesel adaptados para a nova legislação ambiental, que exige menor teor de enxofre na composição do combustível. Outros 10% serão aplicados em projetos ambientais e sociais. A Mercedes-Benz investirá R$ 300 milhões de seu caixa para consolidar o plano.

Segundo a empresa, 1,4 mil trabalhadores foram contratados pela companhia entre o fim de 2009 e fevereiro deste ano. O novo investimento vai gerar 400 empregos diretos para engenheiros e técnicos no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico. Na linha de montagem, porém, não há previsão de contratações. O presidente da Anfavea e vice-presidente de Recursos Humanos da Mercedes-Benz, Jackson Schneider, afirmou que a companhia vai analisar a necessidade de ampliar o quadro de trabalhadores, hoje em 11,6 mil funcionários, no fim de 2011.

Presente à cerimônia, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, comemorou os investimentos da Mercedes-Benz. "Os competidores de mercado da companhia serão obrigados a fazer investimentos semelhantes para acompanhar os avanços de tecnologia", afirmou. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, também participou do evento.

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