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Washington, 8 mar (EFE).- O Banco Mundial (BM) disse hoje que os países emergentes enfrentam um déficit de financiamento de até US$ 700 bilhões este ano, e advertiu de que os organismos multilaterais não podem cobrir sozinhos essa brecha.

Combater o problema exige a colaboração das instituições multilaterais, assim como dos Governos de países desenvolvidos e em desenvolvimento e do setor privado, afirmou um estudo do organismo publicado hoje.

No relatório, a entidade previu que o Produto Interno Bruto (PIB) global registrará contração este ano pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Os dados concretos da esperada retração serão publicados no final do mês em um relatório que será divulgado antes da reunião conjunta do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que será realizada em abril em Washington.

As últimas previsões do BM divulgadas em dezembro previam um crescimento global de 0,9% para este ano.

O organismo indicou também que a produção industrial global pode ser até 15% menor em meados de 2009 frente aos níveis do ano passado.

O agravamento da crise coloca em uma situação crítica os países emergentes, segundo o Banco Mundial, que ressaltou que o déficit de financiamento dessas nações poderia oscilar entre US$ 270 bilhões e US$ 700 bilhões.

O organismo assegurou que mesmo se o rombo de financiamento se situasse na parte inferior desse espectro, as entidades financeiras não teriam recursos suficientes para ajudar esses países.

"Caso se materialize um cenário mais pessimista, as necessidades de financiamento não cobertas serão enormes", afirmou a análise.

O organismo adiantou que a crise atual terá repercussões a longo prazo nas nações emergentes.

Nesse sentido, o relatório menciona que é de se esperar que as emissões de dívida dos países ricos aumentem de forma dramática, o que deve deixar de lado as dos países em desenvolvimento.

O Banco Mundial destacou que os emergentes que ainda podem ter acesso aos mercados financeiros enfrentam custos de financiamento mais altos e menores fluxos de capital, o que conduz a menores investimentos e crescimento no futuro.

A análise indicou ainda que muitos dos países mais pobres são cada vez mais dependentes da ajuda ao desenvolvimento, perante a queda de suas exportações e receita fiscal.

De acordo com as estimativas do BM, os fluxos de comércio globais caminham no sentido de registrar a maior queda em 80 anos. Com isso, os países do leste asiático serão os mais afetados.

Além disso, existe a possibilidade de que aumente a volatilidade nos fluxos de ajuda, pois alguns dos países doadores estão cortando as verbas destinadas a esse fim.

Em declarações preparadas para a conferência financeira que será realizada amanhã em Londres, Justin Yifu Lin, economista-chefe do BM, afirmou que os países ricos deveriam gastar parte do valor dos pacotes de estímulo nas nações em desenvolvimento, algo que, disse, teria um impacto econômico significativo.

"É claro que é preciso injetar recursos fiscais nos países ricos que estão no epicentro da crise", afirmou o especialista.

Ele acrescentou que, apesar de essas injeções serem necessárias, a canalização de investimentos para o setor de infraestruturas no mundo em desenvolvimento pode acabar com o gargalo ao crescimento e restaurar a demanda, que é fundamental para a recuperação.

O estudo publicado hoje chama a atenção também para o impacto negativo nos países mais pobres dos menores fluxos de remessas e da queda nos preços das matérias-primas, dois fatores que afetam especialmente a América Latina.

Segundo o BM, para pelo menos nove países na América Latina as receitas de matérias-primas representaram cerca de 2% do PIB entre 2002 e 2007.

Em alguns casos, como no da Bolívia, o percentual recentemente alcançou 12% do PIB, afirmou o Banco Mundial. EFE tb/db

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