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O Banco Central Europeu (BCE) reconheceu nesta quinta-feira a gravidade da recessão na zona euro reduzindo sua taxa básica de juros a um nível histórico e prometendo ir ainda mais longe para estimular a economia.

O Conselho dos governadores decidiu reduzir a taxa básica, que determina o nível do crédito nos 16 países da moeda única, em meio ponto percentual, a 1,50% - a primeira desde o lançamento do euro há dez anos.

Esta é a quinta baixa desde outubro. No total, ela foi reduzida em 275 pontos básicos, destacou o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, em entrevista à imprensa.

Como ilustram suas novas previsões, o BCE considerou o drástico agravamento da conjuntura, com a queda da demanda mundial redobrada para a atividade industrial e um consumo fragilizado.

Considerou ainda a possibilidade de uma queda do PIB de 2,7% em média este ano, acompanhada de um crescimento nulo em 2010. A revisão foi brutal. Em dezembro passado, o BCE apostava ainda numa queda de 0,5% em 2009, e esperava um crescimento de 1% no ano seguinte.

O BCE também revisou seus cálculos sobre a inflação, que continuará nestes dois anos nitidamente abaixo da meta de uma taxa ligeiramente inferior a 2%. Para 2009, prevê alta de 0,4%, e para 2010, de 1%.

"Os sinais de redução generalizada dos riscos inflacionários emergem cada vez mais", avisou o francês, apesar de ele mesmo considerar pequenos os riscos de deflação, a saber de um recuo generalizado e duradouro dos preços.

Ele abriu caminho a novas baixas dos juros, sem falar em números. "Não excluo a possibilidade de a taxa básica cair ainda mais", disse.

E, pela primeira vez, anunciou que o BCE estava estudando medidas de flexibilização quantitativa, que visam a relançar a economia por meio da emissão em massa de moedas e que são utilizadas quando as baixas das taxas básicas não bastam.

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Banco do Japão já experimentaram este tipo de medidas. E o Banco da Inglaterra, que também reduziu nesta quinta-feira os juros em meio ponto percentual, para 0,50%, lançou paralelamente um amplo programa prevendo a recompra no valor de 75 bilhões de libras (84 bilhões de euros) de ativos, principalmente empréstimos do Estado.

Jean-Claude Trichet não antecipou a dimensão das medidas que o BCE adotará. "Não é porque nossos colegas fazem isso ou aquilo que devemos fazer a mesma coisa", declarou. "Não excluo nada", insistiu.

"Um BCE mais consciente e pronto a agir: esta é a boa notícia do dia", reagiu Aurelio Maccario, economista do UniCredit.

A compra de empréstimos do Estado é delicada em uma zona formada por 16 Estados soberanos. Mas ele pode comprar títulos de créditos de empresa, como papéis de tesouraria, que possam alimentar diretamente os grupos industriais em liquidez.

"Se chegarmos efetivamente a uma escassez de crédito, o BCE deve se comprometer neste caminho", considerou Jörg Krämer, chefe de economia do Commerzbank.

Enquanto isso, ela vai continuar alimentando os bancos em liquidez no mercado monetário. Pouco após o desabamento do banco de negócios Lehman Brothers, em setembro, ele havia decidido aceitar todos os pedidos de refinanciamento. "Esta disposição é prolongada, até para depois de 2009", segundo seu presidente.

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