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O desmonte do esquema de socorro de emergência ao sistema financeiro internacional montado para enfrentar a crise já começou. O primeiro passo foi dado ontem pelo Banco Central Europeu (BCE) com um ajuste no formato dos financiamentos a essas instituições.

As mudanças são leves, mas já marcam o início da chamada estratégia de saída, na avaliação de analistas na Europa.

Isso não significa que a alta dos juros está à vista, como afirmou o próprio presidente da entidade, Jean-Claude Trichet. Para os especialistas, o BCE vai primeiro reverter as medidas não convencionais, retirando aos poucos os estímulos de liquidez que hoje permitem aos bancos tomarem recursos baratos. Só num segundo momento a autoridade monetária mexerá na taxa, mantida ontem em 1% ao ano.

"A mensagem de ontem dada aos bancos é clara: façam a sua tarefa de casa porque os Refis grátis estão acabando", disse Carsten Brzeski, economista do ING. "Chegou a hora de os bancos da zona do euro começarem a desmamar do fornecimento de liquidez extremamente generoso do BCE", observou Janet Henry, do HSBC.

Durante o combate à crise, os principais bancos centrais do mundo adotaram políticas de crédito facilitado para tirar os países da recessão. Quando os juros chegaram perto de zero, tiveram de arrumar munição extra e passaram a injetar recursos no sistema de maneira inédita. Essa liquidez artificial abriu o apetite dos investidores para o risco nos últimos meses, estimulando principalmente os ativos emergentes e abrindo desconfianças sobre a existência de uma bolha.

Com a recuperação da economia em curso, ainda que de forma lenta, as autoridades começam a traçar formas de retornar à normalidade. O BCE saiu na frente ao anunciar que as operações de refinanciamento de longo prazo acabarão em março e não serão mais oferecidas à taxa de 1%.

Para Janet, do HSBC, as medidas não significam que os mercados tenham de antecipar a alta dos juros na zona do euro. Isso porque as projeções da autoridade monetária para a economia, revisadas ontem, ainda são modestas, apesar de mostrarem melhora.

O BCE estima que o PIB da região crescerá 0,8% em 2010 (considerando o ponto médio da faixa de previsões) - a projeção anterior era de 0,2%. A expectativa para a inflação no próximo ano é de 1,3%, ainda abaixo da meta de 2%. "A conclusão é que as projeções macroeconômicas não indicam a necessidade de alta dos juros tão cedo", disse Ken Wattret, analista do BNP Paribas.

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