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O Banco Central prevê uma melhora das contas externas só a partir de 2012, quando os investimentos de hoje começarem a gerar um aumento das exportações. Em 2011, o resultado deverá ser ainda negativo, na mesma magnitude da projeção de déficit de 2,53% do Produto Interno Bruto (PIB).

O Banco Central prevê uma melhora das contas externas só a partir de 2012, quando os investimentos de hoje começarem a gerar um aumento das exportações. Em 2011, o resultado deverá ser ainda negativo, na mesma magnitude da projeção de déficit de 2,53% do Produto Interno Bruto (PIB). As previsões foram feitas ontem pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "A maturação de investimentos vai ajudar a gerar mais exportações. Isso leva a crer que o resultado voltará à normalidade dentro de dois anos." A deterioração das contas externas, que se agravou no primeiro trimestre, segundo ele, não é mais um problema para a economia, como ocorria antes. Hoje o Brasil tem uma situação confortável de reservas internacionais e é um dos países mais atrativos para receber investimentos. Não só em novas fábricas, serviços e projetos de infraestrutura, como também em aplicações do mercado financeiro, como renda fixa e ações. Por isso, o chefe do Depec destacou que não observa no aumento do déficit este ano um sinal de vulnerabilidade externa ou risco à saúde econômica do País, como observam analistas econômicos. Na sua avaliação, o déficit externo equivalente a 2,5% do PIB previsto para 2010 é "relativamente baixo comparado com o passado". "É perfeitamente financiável", disse. Para Altamir Lopes, não há vulnerabilidade nas contas externas porque o passivo do País é hoje constituído por investimento estrangeiro direto, relacionado a setores exportadores. Juros e renda fixa. Para o ex-diretor de Política do BC e economista-chefe da Confederação Nacional de Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, o ciclo de alta da taxa de juros, esperado para ter início na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), pode potencializar a piora das contas externas. É que, com os juros ainda mais atrativos, um volume maior de investimentos externos em aplicações em renda fixa deve entrar no País, contribuindo para valorizar o real ante o dólar. O real mais forte enfraquece as exportações e favorece o aumento das importações, das remessas de lucros e dividendos e das viagens internacionais - fatores que têm pressionado as contas externas do País.

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