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SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, voltou a enfatizar que o BC mantém como alvo a inflação de 2012, que, segundo ele, irá convergir para o centro da meta de 4,5%

. Como essa afirmação não apareceu na ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, o mercado financeiro começou a trabalhar com a ideia de que o BC iria perseguir o centro da meta apenas em 2013. Essa interpretação chegou a provocar algum ajuste na curva de juros futuros ? os contratos mais longos subiram, como reflexo do entendimento de que uma atitude menos rigorosa com a inflação no curto prazo poderia forçar o Copom a subir a taxa Selic mais à frente. Hoje Tombini ajustou essa leitura ao reiterar que o BC está pronto para agir caso seja necessário. "A inflação já está em trajetória declinante. Mas o BC continua vigilante e não hesitará em adotar medidas, se necessário, para garantir a convergência da inflação ao centro da meta em 2012." Ao apresentar o cenário de inflação, Tombini não mostrou grande preocupação. Ao contrário, enfatizou o fato de os índices de preço terem começado a desacelerar nos últimos dois meses, como fruto das ações de ajuste monetário adotadas ao longo de sete meses. "Esse processo (as medidas de aperto monetário) já vem assentando as bases para que a inflação convirja para o centro da meta em 2012", afirmou. Ele observou que também as expectativas começam a ser domadas: a média mensal da inflação projetada pelo mercado para o segundo semestre de 2011 é compatível com o centro da meta de inflação. E, segundo ele, será no quarto trimestre de 2011 que ficará mais evidente a trajetória de convergência da inflação ao centro da meta. "É nesse período que o ajuste das condições monetárias adotadas terão impacto máximo sobre a economia brasileira", afirmou. Assim, previu Tombini, a inflação acumulada nos últimos três meses de 2011 será "significativamente menor do que em igual período de 2010". "E o mesmo ocorrerá no primeiro trimestre de 2012 em relação a igual período de 2011, também caracterizado por uma inflação mensal bastante dramática." Riscos no exterior Os riscos apontados por Tombini estão concentrados no cenário internacional. "Desde o início do ano, o BC tem lidado com a complexidade do cenário econômico internacional. No entanto, os acontecimentos observados nas últimas semanas se mostraram ainda mais complexos", afirmou, citando a crise da dívida na zona do euro, cujo processo de acomodação será "longo e sujeito a contratempos", e a economia americana, que vive processo sistemático de perda de dinamismo e redução da expectativa de crescimento, além de um nítido esgotamento do grau de manobra da política fiscal. "Tudo indica que, qualquer que seja a solução do impasse, e assim se encaminha para que haja uma solução, a economia americana não só perderá a possibilidade de novos impulsos fiscais como terá que viver com o fim dos hoje existentes. Isso deve afetar a expectativa de crescimento da maior economia do mundo nos próximos anos". Assim, lembrou, o processo de solução dos principais fatores de risco hoje existentes poderá impor ainda contratempos ao longo desse percurso, o que poderá adiar a normalização da política monetária nesses países. Tombini enfatizou, entretanto, que o Brasil está preparado para enfrentar esse ambiente, ainda que haja deterioração. Isso graças ao câmbio flutuante, que é capaz de absorver choques com menor custo para a sociedade, às reservas internacionais elevadas, e ao colchão de liquidez gerado pelos compulsórios elevados a partir de 2008. Também afirmou que, se houver uma deterioração no exterior, as medidas preventivas adotadas em 2008 e que já foram desativadas poderão ser rapidamente reintroduzidas. Economia mais sólida e robusta, com investimentos em infraestrutura, também contribuem para a superação desse período mais turbulento, afirmou o presidente do BC. (Lucinda Pinto | Valor)

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