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Copom reafirma estratégia adotada em agosto para estimular o crescimento econômico e atenuar os efeitos da crise mundial no Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, dando sequência a estratégia de redução nos juros para estimular o crescimento econômico e mitigar os efeitos da crise econômica no Brasil. Com isso, a taxa Selic passou para 12% ao ano para 11,50% ao ano.

No comunicado divulgado após o encontro, que começou na terça-feira, a autoridade monetária afirmou que o Copom segue, "dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias decidiu por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,50% a ao ano, sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012"

Evolução da Selic

Comportamento da taxa básica de juros

Gerando gráfico...
Fonte: Banco Central

Rota da taxa de juros

Na última reunião do Copom, em 31 de agosto, o BC já havia afirmado que "houve uma substancial deterioração e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos" para justificar a redução dos juros e que  "o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante", podendo contribuir para reduzir as pressões sobre os preços no Brasil.

A decisão de promover um novo corte na taxa de juros já era um movimento esperado e, em parte, antecipado pelo mercado financeiro desde o último encontro do Copom, em agosto.

Nas duas primeiras reuniões de 2011, em janeiro e março , a Selic havia sido elevada em 0,5 ponto percentual. Em abril , junho e julho , o BC reduziu o ritmo e elevou os juros em 0,25 ponto percentual. Em agosto , o BC surpreendeu o mercado, mudou a estratégia de política monetária e promeveu um corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros.

Mesmo com a redução da Selic nesta quarta-feira, o Banco Central segue a trajetória de ajuste da economia com a taxa de juros mantendo o maior patamar desde janeiro. Naquele período a Selic estava em 11,25%, mas com tendência de alta, confirmada nos meses seguintes (ver gráfico) até atingir 12,5% ao ano em julho.

Na avaliação de analistas, o BC está sinalizando uma maior tolerância com a inflação, mas avalia que os indicadores que medem a variação dos preços devem começar a ceder  já neste trimestre. Alguns indicadores importantes como o IPCA e o IGP-M , por exemplo, apresentaram avanço nas últimas medições.

Para os analistas, esse movimento de redução da taxa de juros pode ser seguido por novas quedas até o início de 2012. Essa decisão, segundo os especialistas, deverá ser adotada se o Banco Central detectar um recuo mais expressivo no ritmo da atividade econômica, sinalizado por exemplo pelas recentes divulgações do IBC-Br, um indicador antecedente do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).

Algumas projeções já apontam uma desaceleração da economia no segundo semestre com o PIB podendo encerrar 2011 com uma alta de 3,5% , abaixo das previsões iniciais do governo que apontavam um resultado mais expressivo de até 5%. Em 2010, a economia cresceu 7,5% .

Uma redução da taxa de juros, caso ocorra nas próximas reuniões do Copom, ajudaria o governo a economizar com o custo da dívida pública federal, remunerada pela Selic, e no comportamento do mercado de câmbio, contribuindo para moderar um avanço na valorização do real frente ao dólar.

Inflação monitorada

O Copom utiliza a Selic como instrumento de controle da inflação por meio da moderação da oferta de crédito e, por consequência, do consumo.

Em um cenário de economia aquecida, a procura por bens e serviços cresce e há dificuldade para a indústria, o comércio e o setor de serviços suprirem as demandas dos consumidores na mesma intensidade do aumento da procura.

Como a demanda e a oferta não têm o mesmo ritmo, os preços acabam subindo, gerando inflação. Quando eleva a taxa básica da economia, o BC busca estimular a poupança interna e conter a expansão excessiva da demanda por bens e serviços.

No sentido oposto, quando inicia um ciclo de cortes na taxa de juros a autoridade monetária sinaliza um maior estímulo para a expansão do consumo interno, como por exemplo, para evitar impactos de uma recessão que possa ser gerada por efeitos da economia internacional ou pelo próprio ritmo da economia local.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do País, ficou em 7,31% no período de 12 meses encerrados em julho. Esse resultado supera a meta fixada pelo governo para este ano, que tem centro de 4,5% e limite superior de 6,5%.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou no início de agosto que as medidas adotadas para desacelerar a economia estão apresentando resultados e previu que a inflação em 12 meses vai cair dois pontos percentuais até abril de 2012.

De acordo com Tombini, as decisões tomadas pela autoridade monetária para combater a inflação já estão funcionando e seus efeitos serão sentidos com mais força no último trimestre do ano.