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Segundo o Banco Central, o câmbio é o principal determinante para a mudança, já que a previsão foi revista de R$ 1,70 para R$ 1,60

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O diretor do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, prevê que a dívida líquida do setor público deve encerrar junho correspondendo a 39,7% do PIB. Em abril e maio, ficou em 39,8% do PIB. Segundo ele, a previsão do BC de uma queda nesta relação já em maio não ocorreu por causa da taxa de câmbio no final de período, que ficou abaixo do projetado pela autoridade monetária.

Para 2011, o BC elevou a estimativa da relação entre a dívida líquida e o PIB de 38% para 39%. "O câmbio é o principal determinante", justificou Maciel. Segundo ele, o BC trabalhava com uma previsão de R$ 1,70 por dólar, mas foi revista para R$ 1,60 por dólar.

Maciel estimou que a dívida bruta deve subir de 55,7% do PIB em maio para 56% em junho, também em razão da taxa de câmbio. O BC usou uma previsão de R$ 1,571 por dólar para junho. Para 2011, no entanto, o Banco Central revisou a projeção de dívida bruta de 55,5% para 55% do PIB.

Maciel também afirmou que a projeção de gastos do setor público com juros da dívida em 2011 foi elevada de 4,8% para 5,4% do PIB. Segundo ele, a despesa com juros no acumulado em 12 meses, até maio, de R$ 219,768 bilhões, é o maior valor da série histórica. O resultado representou 5,71% do PIB, também o mais alto desde setembro de 1998.

Normalidade

O diretor do Departamento Econômico do BC avaliou que o resultado do superávit primário do setor público consolidado mostra o "retorno da normalidade fiscal" em relação aos anos anteriores. "Quando comparado o resultado de maio com maio de 2010, fica evidente a convergência para uma situação de normalidade na área fiscal. Estamos em trajetória de pleno cumprimento da meta", afirmou Maciel.

Segundo ele, o resultado foi influenciado pelo ritmo da atividade econômica que se traduz em maior arrecadação. Do lado das despesas, o diretor acredita que o crescimento é moderado, abaixo da expansão nominal do PIB. Ele destacou a participação dos governos regionais (Estados e municípios) que, ao fazerem R$ 19,046 bilhões em superávit primário no acumulado de janeiro a maio, registraram o melhor resultado para o período da série histórica do BC, iniciada em 2001.

Maciel disse que o bom resultado de Estados e municípios é explicado pelo aumento das transferências da União e pelo crescimento na arrecadação de ICMS.

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