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Com programa de recompra de títulos do Tesouro que vai até o fim de 2012 governo espera estimular o consumo e os investimentos

O Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos deu mais um passo para tentar impulsionar a enfraquecida economia do país e anunciou nesta quarta-feira que vai comprar mais US$ 400 bilhões, cerca de R$ 730 bilhões, até  o fim de 2012 em títulos do Tesouro americano em um esforço para tornar o crédito mais barato e estimular os gastos dos consumidores e investimentos.

A decisão foi tomada após reunião de dois dias com sete dos dez membros votando a favor da adoção de mais incentivos para tentar reativar a economia.

Segundo a CNN Money, os três membros que discordaram da decisão afirmaram que as taxas de juros já estão baixas e isso não tem sido suficiente para incentivar os norte-americanos a tomar empréstimos. "Essa não é uma situação em que as pessoas estão dizendo ‘eu realmente quero comprar uma casa, mas os juros estão muito altos’”, disse à CNN Money Frank Sorrentino, presidente do North Jersey Community Bank.

Em comunicado, o Fed afirmou que pretende adquirir até o fim de 2012 títulos da dívida do Tesouro de longo prazo, com vencimento entre seis e 30 anos. Ao mesmo tempo, a autoridade monetária pretende vender o mesmo valor em títulos de curto prazo, com vencimento em três anos ou menos.

"Esse programa deve pressionar para baixo as taxas de juros de longo prazo e tornar as condições financeiras mais 'cômodas'", afirmou o Fed. "O comitê irá revisar regularmente o tamanho e a composição de seus ativos e está preparado para ajustá-los conforme for apropriado."

Com esse novo estímulo, a autoridade monetária pretende forçar a queda das taxas de juros de longo prazo e reduzir os custos dos empréstimos, em mais uma tentativa para evitar que os Estados Unidos entrem em recessão.

O Fed também afirmou que vai reinvestir o capital de hipotecas em vencimento e de bônus de agências no mercado de hipotecas, um reconhecimento da fraqueza que continua abatendo o setor. "Recentes indicadores apontam para contínua fraqueza nas condições gerais do mercado de trabalho, e a taxa de desemprego permanece elevada", afirmou a autoridade momentária em comunicado.

Críticas republicanas

Em meio a uma taxa de desemprego de 9,1%, a confiança do consumidor e dos empresários foi golpeada pelo rebaixamento do rating dos EUA e pela escalada da crise de dívida soberana na Europa, e as autoridades do Fed sinalizaram que buscarão evitar que a já fraca economia norte-americana enfraqueça ainda mais.

Mas, mesmo que o prsidente do Fed, Ben Bernanke, tenha indicado que a relutância do Banco Central norte-americano ficará na margem, o ativismo do Fed se tornou alvo de políticos, à medida que a eleição se aproxima.

Os principais líderes republicanos do Congresso escreveram a Bernanke nesta semana pedindo que o Banco Central desista de mais intervenções econômicas, expressando as mesmas críticas de candidatos republicanos à Presidência nas últimas semanas.

As autoridades do Fed, contudo, acreditam que, ao alterar suas posses de bônus, o Banco Central pode estimular o refinanciamento de hipotecas e levar investidores a ativos de maior risco, como bônus de empresas e ações, sem alimentar uma alta nos preços ao consumidor.

Analistas têm alertado contra um maior risco de recessão na economia norte-americana. Um relatório mostrando que não houve geração líquida de empregos em agosto provocou um amplo temor de que o crescimento poderia estancar.

(Com Reuters)