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Banco estabeleceu o limite de 10% para o capital de categoria 1, formalizando um nível que a maioria dos bancos do país já cumpre

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O Banco Central (BC) da Grécia disse a 14 bancos locais que eles devem aumentar seu capital, num cenário de deterioração da economia e no qual as instituições financeiras do país continuam sem acesso ao mercado europeu de crédito interbancário. Em reunião nesta terça-feira com os CEOs de 14 bancos, o presidente do BC grego, George Provopoulos, afirmou que eles devem se adaptar a novas normas de adequação de capital até o começo de 2012.

O BC da Grécia estabeleceu o limite de 10% para o capital de categoria 1, formalizando um nível que a maioria dos bancos do país já cumpre; é o dobro do padrão mínimo estabelecido por normas internacionais para os bancos gregos. Ao mesmo tempo, o BC da Grécia está determinando uma nova revisão das carteiras de crédito dos bancos do país, para determinar se eles devem fazer mais provisões para empréstimos duvidosos, além daquelas feitas nos últimos 18 meses.

"Os bancos provavelmente terão de aumentar seu capital, por causa de uma elevação prevista na inadimplência. Tendo em vista a deterioração do ambiente econômico, os bancos provavelmente terão de fazer mais provisões", disse um funcionário do BC da Grécia.

Em maio do ano passado, a Grécia escapou por pouco de um não pagamento (default), com a ajuda de um programa emergencial de crédito de 110 bilhões de euros da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), concedido sob a condição de que o país adotasse medidas duras de austeridade e reformas econômicas.

Apesar disso, a Grécia ainda está diante de custos proibitivos de financiamento nos mercados internacionais, e a UE e o FMI estão discutindo um novo pacote de ajuda financeira ao país para os próximos três anos, que poderá atingir 90 bilhões de euros e deverá incluir alguma contribuição por parte dos credores do setor privado.

Em troca desse novo programa de crédito, na semana passada o governo da Grécia aprovou um novo pacote de cortes de gastos e de elevações de impostos de 28 bilhões de euros, com o objetivo de reduzir seu déficit orçamentário para 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2015, de 10,5% do PIB no ano passado.

As sucessivas medidas de austeridade, por sua vez, têm afetado a atividade econômica e feito crescer a inadimplência. Cerca de 10% dos empréstimos feitos pelos bancos gregos estão com pagamentos em atraso e esse número deverá ultrapassar os 12% em meados de 2012.

Na próxima semana, o BC da Grécia, em coordenação com os credores oficiais do país, a UE e o FMI, deverão nomear um auditor externo para revisar as carteiras de crédito dos bancos. O auditor, que provavelmente será uma firma de contabilidade ou um banco de investimentos internacional, vai fazer uma nova avaliação das políticas de provisão dos bancos e fazer recomendações sobre o nível desejável de provisões.

Os bancos que se mostrarem incapazes de levantar mais capital de seus acionistas terão acesso a um fundo especial de apoio de 10 bilhões de euros estabelecido no ano passado pela UE e pelo FMI como parte do pacote de ajuda emergencial.

Embora sejam vistos em geral como bem capitalizados, os quatro maiores bancos da Grécia - o National Bank of Greece, o EFG Eurobank Ergasias, o Alpha Bank e o Piraeus Bank - não têm acesso ao mercado europeu de crédito interbancário há mais de um ano. Esses bancos têm uma taxa média de capital de categoria 1 de 10,3%, o que inclui ações preferenciais emitidas para o governo no começo de 2009 como parte de um programa de apoio ao setor financeiro anterior à crise econômica atual.

Mas, pelo fato de manterem cerca de 55 bilhões de euros em bônus do governo da Grécia em suas carteiras, os bancos gregos têm sido incapazes de recorrer aos mercados por causa do temor de um não pagamento (default) soberano. As informações são da Dow Jones.