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SÃO PAULO - Mesmo admitindo que a desaceleração na China foi bem mais rápida e forte do que o esperado por analistas, o diretor financeiro da Vale, Fabio Barbosa, acredita que o país ainda pode crescer de 7% a 8% no ano que vem. O executivo também afirma que a situação já esta dando sinal de melhora após o lançamento do pacote de estímulos pelo governo chinês.

"Os preços pararam de piorar no caso do aço", disse.

Em apresentação durante seminário sobre risco Brasil promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Standard & Poor´s e Valor Econômico, o executivo disse ainda que o setor de mineração terá "dias menos brilhantes" em fusões e aquisições. Com a restrição de crédito no mercado, Barbosa acredita é natural que as companhias do setor cancelem ou adiem projetos em geral.

"Uma grande riqueza desapareceu. Trilhões de dólares que alimentavam consumo e investimentos deixaram de existir", disse. Para a Vale, no entanto, Barbosa fez questão de reforçar que a situação é mais benigna em comparação a outras mineradoras.

Segundo ele, 12 meses antes do agravamento da crise, a Vale previa uma piora de liquidez de mercado e obteve os financiamentos necessários com prazos longos e custos menores. "Hoje temos condições de perseguir qualquer opção de investimentos."
Com US$ 15,3 bilhões em caixa, a Vale tem uma linha de financiamento de longo prazo de US$ 10 bilhões e US$ 1,3 bilhão em crédito rotativo. O prazo médio do endividamento é de nove anos e meio. "As amortizações em 2009 somam US$ 318 milhões", destacou Barbosa.

O executivo fez questão de lembrar que a Vale vem sendo bem sucedida na gestão de caixa, sem correr riscos com instrumentos derivativos ou apostas direcionais. "A Vale é conservadora. A estratégia básica é proteger a estrutura de caixa."
(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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