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Pelo terceiro mês consecutivo,os juros cobrados dos consumidores e das empresas subiram em julho e já mostram tendência de alta também neste mês. Duas pesquisas revelam que os bancos e as financeiras estão repassando gradualmente a elevação de 0,75 ponto porcentual da taxa básica de juros, a Selic, determinada pelo Banco Central (BC) no fim do mês passado.

A taxa média de juros das pessoas físicas atingiu 7,35% ao mês ou 134,22% ao ano em julho, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Foi o maior nível desde abril de 2007. A taxa média de juros para as pessoas jurídicas alcançou 4,23% ao mês, ou 64,40% ao ano, em julho, o nível mais elevado desde novembro de 2006. Em ambos os casos, a variação sobre o mês anterior foi de 0,02 ponto porcentual.

"Os bancos e as financeiras elevaram as taxas no mês passado numa proporção inferior à alta da Selic", afirma o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira.Esse descompasso, segundo ele, ocorreu porque a reunião do Copom foi no fim do mês passado, o que atenuou o impacto do repasse ao consumidor. "O efeito da alta da taxa básica de juros deverá ser sentido mais neste mês", prevê.

Pesquisa da Fundação Procon de São Paulo confirma essa tendência. A taxa média de juros do empréstimo pessoal pesquisada em dez bancos atingiu 5,69% este mês, ante 5,67% em julho. No caso do cheque especial, a taxa média de juros deste mês também foi superior à de julho: 8,97% ante 8,83% ao mês. A diretora de Estudos e Pesquisas da Fundação Procon-SP, Valéria Rodrigues, destaca que o resultado de agosto é a oitava alta consecutiva da taxa de juros do empréstimo pessoal. No caso do cheque especial, trata-se da quinta alta seguida.

Apesar da elevação das taxas, os prazos dos financiamentos foram mantidos, aponta a pesquisa da Anefac. Segundo Adalberto Savioli, presidente da Acrefi, entidade que representa 64 financeiras, as instituições financeiras já fizeram os ajustes que pretendiam nos prazos de financiamento e não devem ter muita alteração daqui para frente.

É exatamente o prazo ainda longo que atenua o efeito da alta de juros no valor das prestações e dá fôlego para que o crédito cresça. Nas contas de Savioli, o saldo da carteira de crédito deve encerrar este ano com crescimento de 20% a 25% na comparação com 2007, impulsionado especialmente pelo financiamento para pessoas físicas, apesar de, nos últimos meses, a carteira de financiamentos para empresas ter apresentado um grande avanço. Em 2007, o crédito cresceu entre 26% e 27%, destaca Savioli.

"2008 será um ano bom para o crédito, mesmo com a alta dos juros", afirma o presidente da Acrefi. Ele avalia que os bancos não encurtaram radicalmente os prazos como no passado porque o cenário macroeconômico ainda é positivo. Isto é, há perspectivas de continuidade de crescimento do emprego e da renda, mesmo com a alta da inflação. Além disso, muitas instituições financeiras mudaram a composição de suas carteiras de financiamento e expandiram a sua atuação no crédito com garantias reais, como de veículos e financiamentos consignados, aqueles com desconto na folha de salários, cuja inadimplência é quase nula.

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