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Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior faz série de cobranças em entrevista

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, fez uma série de cobranças em entrevista ao Estado , logo após o anúncio das medidas de apoio à indústria, na semana passada. Ele chamou os bancos de "avaros" na concessão de crédito "em momentos difíceis", classificou a ideia de desindustrialização como "tosca" e disse que o governo não vai dar mais incentivos às montadoras.

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"O setor já tem muito incentivo", disse Pimentel. "Não vejo necessidade de mexer." Pelo contrário, Pimentel cobrou investimentos em pesquisa e inovação. "Não podemos dizer que ela (a indústria automobilística) está fazendo jus ao tamanho do mercado que o Brasil é." Pimentel baixou o tom, porém, ao comentar ao estudo que teria sido encomendado por ele prevendo medidas mais agressivas para influenciar a taxa de câmbio. "Quem sou seu (para pedir medidas mais agressivas)", disse o ministro. "Sou mineiro".

A seguir, os principais trechos da entrevista de Pimentel:

Os resultados do pacote aparecerão quando?
O efeito não é no curto prazo, mas será muito positivo. Para a desoneração da folha, temos a exigência da noventena. Mas, nas outras medidas, não. Acho em 90 dias tudo estará regulamentado e rodando. O BNDES em 10 e 15 dias já estará rodando as linhas com taxas novas.

Era preciso oferecer capital de giro com taxas subsidiadas?
Há quem diga que o BNDES deveria se limitar aos investimentos de longo prazo, mas infelizmente o nosso mercado de crédito privado tem sido meio avaro na concessão de crédito (risos). Qualquer sinal de crise, eles restringem. Essa é uma queixa muito grande. O BNDES acaba tendo que suprir uma escassez do crédito privado.

O que pode ser feito?
Não sei se o BC pode estimular com alguns mecanismos, reduzir o compulsório. O aumento dos juros e do spread não faz sentido. A Selic está caindo. Não dá para entender. Eles estão se precavendo de um risco hipotético de crise. Na hora em que a economia mais precisa de crédito, justamente quando as coisas não estão tão bem, o setor privado se retrai. É natural que o setor estatal acabe tendo de cobrir. Não adianta baixar só o juro se o spread não cai.

A queda da taxa Selic ajuda no problema cambial?
Ajuda, mas não é decisiva. A economia sólida e uma política fiscal consistente acabam atraindo capital. E os nossos juros ainda são bem mais altos do que a média internacional. Isso tudo faz entrar muito dólar. Teremos que conviver daqui para frente com a moeda mais valorizada do que foi historicamente. Não estou dizendo com isso que vamos deixar valorizar demais. Pelo contrário.

O ministro Mantega falou que o dólar em R$ 1,80 e razoável...
Essa taxa não é nenhuma maravilha, mas é razoável. Ele um pouco que sinalizou - não vou dizer que é um novo patamar - mas que vamos tentar manter essa taxa aí.

Essa taxa é boa?
A indústria tem cadeias produtivas muito integradas com fornecedores lá fora. Não tem uma taxa de câmbio que atenda todo mundo. A taxa que vai ser boa para quem está muito mal será ruim para quem está melhor.

Mas o senhor está confortável com R$ 1,80?
Quando a gente vai viajar é muito bom (risos). Mas se eu for exportar é ruim demais. Para quem está fora do padrão de competitividade, de fato não é. Temos que ajustar. Como não vamos administrar o câmbio, temos que compensar isso com outro tipo de medida. É o que estamos fazendo agora. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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