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Grandes bancos da Alemanha e da França sinalizaram no fim de semana que vão participar do novo plano de socorro à Grécia

Nicolas Sarkozy e Angela Merkel: dirigentes da França e da Alemanha fazem pressão sobre bancos privados
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Nicolas Sarkozy e Angela Merkel: dirigentes da França e da Alemanha fazem pressão sobre bancos privados

Grandes bancos da Alemanha e da França sinalizaram no fim de semana, em Berlim e Paris, que vão participar do novo plano de socorro à Grécia, como último esforço para salvar o país da bancarrota.

Atendendo à intimação dos governos de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, os investidores privados devem aceitar postergar as datas de vencimento dos títulos da dívida soberana já emitidos por Atenas, como uma “contribuição” avaliada em cerca de 30 bilhões de euros.

O objetivo da participação dos investidores é reduzir a pressão sobre as contas públicas do país e emitir um sinal ao Parlamento grego, que avalia um novo pacote de austeridade nesta semana. Por isso, os indícios de que grandes instituições financeiras da Europa estão prontas para contribuir no plano se multiplicaram nos últimos dias.

O sinal mais importante veio no fim de semana, quando a Federação de Bancos Privados (BdB), da Alemanha, entidade que reúne instituições como Commerzbank e Deutsche Bank, confirmou que participará do plano da União Europeia (UE), do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao jornal Neue Osnabrü;cker Zeitung, Michael Kemmer, presidente da instituição, afirmou que o sistema financeiro do país está pronto “a aportar sua contribuição”.

Segundo cálculos do Bundesbank, o banco central alemão, e da própria BdB, a “exposição” do sistema financeiro do país aos títulos da dívida grega não supera os 20 bilhões de euros. “Todos estão conscientes de suas responsabilidades. Todo mundo sabe que o euro é muito importante, que a Grécia é muito importante para a zona euro e está claro ser necessário se engajar nas medidas de estabilização”, disse Kemmer.

Um acordo semelhante entre o Palácio do Eliseu com os maiores bancos e seguradoras franceses também já foi selado, segundo garantiu na sexta-feira Nicola Sarkozy. Entre as instituições envolvidas, estão BNP Paribas, que detém 5 bilhões de euros em obrigações da dívida grega, Société Générale, com 2,5 bilhões de euros, e Crédit Agricole, com 600 milhões de euros. Também o banco franco-belga Dexia, que soma 5,4 bilhões de euros em títulos gregos, disse estar pronto para integrar o resgate.

Em troca da “participação voluntária” - o que, na prática, torna a medida um “rollover” e não uma moratória -, os governos das maiores potências europeias devem oferecer garantias públicas aos títulos da dívida grega, para o caso de falência. “É evidente que nós temos incentivos”, disse Kemmer na quarta-feira.

Caso a “contribuição” privada chegue, de fato, aos 30 bilhões de euros, o valor com o qual a UE, o BCE e o FMI terão de socorrer a Grécia na próxima semana cairá para cerca 80 bilhões de euros. Essa estimativa se baseia na revelação do primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, que na sexta-feira informou que o novo plano de resgate deve ser “similar” ao primeiro socorro, de 110 bilhões de euros, assinado em maio de 2010. Além do novo pacote de auxílio, a Grécia ainda tem a receber 57 bilhões de euros relativos a este empréstimo, dos quais 12 bilhões de euros devem ser liberados no dia 3 de julho.

Todos esses valores, entretanto, dependem da aprovação até quarta-feira, pelo Parlamento grego, de um novo programa de austeridade, cujo montante atingirá 28 bilhões de euros até 2014. Preocupados em mobilizar a classe política grega na próxima semana, líderes da UE se sucedem em declarações aos deputados e à população da Grécia. À rede TV5 Monde, Jean-Claude Juncker, coordenador do fórum de ministros de Finanças da Europa (Eurogrupo), pediu ontem “união nacional”. Sobre a semana de alto risco político, Juncker afirmou: “Nós partimos do princípio de que este plano será aprovado”.

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