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Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e os demais bancos oficiais não poderão cobrar taxas de juros mais caras do que as das instituições financeiras privadas. Pelo contrário, eles terão de liderar o movimento de queda dos custos das operações de crédito no País.

Deverão, também, acelerar a liberação de empréstimos. Essas foram as orientações transmitidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com os presidentes dos bancos oficiais ontem, no Palácio do Planalto.

Não foi a primeira vez que essas instituições foram cobrados a contribuir mais pelo barateamento dos empréstimos. Segundo assessores, Lula não foi tão duro quanto alguns esperavam, mas não deixou dúvidas quanto ao seu desconforto. "Eles não podem cobrar taxas mais altas do que as do setor privado", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que participou do encontro.

Também estavam presentes o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mantega negou uso político, mas frisou que os bancos públicos respondem ao governo.

Durante a reunião, avaliou-se que o volume de crédito disponível no Brasil ainda é insuficiente, apesar de os as instituições financeiras oficiais haverem elevado em cerca de 40% seus desembolsos.

Constatou-se, também, que o custo do crédito continua sendo um problema. Mantega usou as palavras "inimagináveis" e "inadmissíveis" para se referir aos níveis dos juros e dos spreads (diferença entre o custo de captação dos recursos e a taxa cobrada na ponta) cobrados pelos bancos públicos e privados após a crise.

Segundo fontes da área econômica, durante a reunião Meirelles voltou a dizer que o problema hoje não é a taxa de juros básica e sim os spreads.

Os números mostram que os bancos oficiais estão longe de liderar a queda nas taxas de juros, como quer Lula. Levantamento feito entre os dias 5 e 9 de janeiro mostra que eles vão mal principalmente nas linhas para empresas. No capital de giro pré-fixado, muito usado para o financiamento das despesas de curto prazo das empresas, o BB cobra juro médio de 2,88% ao mês, superior ao do Itaú, Unibanco, ABN Amro Real, Santander e Safra. A Caixa, por sua vez, ganha desse grupo de privados ao cobrar, na média, 2,25%.

Na conta garantida, uma espécie de cheque especial das empresas, o Banco do Brasil cobra a 11ª taxa mais cara entre 43 instituições. No Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC), usado por exportadores, há 9 bancos que cobram menos que ele. O Banco do Brasil cobra 0,72% ao mês, enquanto o Bradesco pede 0,54%.

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