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O Banco Central do Japão (BoJ) anunciou nesta terça-feira a injeção de 10 trilhões de ienes (114 bilhões de dólares) nas instituições financeiras através da compra de ativos para acalmar os mercados e apoiar a segunda economia mundial ameaçada pela deflação e a alta do iene.

O Japão emergiu este ano de sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial, mas sua recuperação se vê ameaçada pela queda de preços e pela inusitada força do iene.

O BoJ, em uma reunião extraordinária nesta terça, manteve sua principal taxa de juros sem alterações, em 0,1%, além de injetar esses 114 bilhões de dólares no setor financeiro.

"Consideramos que é o meio mais eficaz para apoiar a reativação econômica", explicou o banco central.

Em seu comunicado, o banco advertiu, no entanto, que "os recentes acontecimentos financeiros internacionais e a instabilidade no mercado de divisas podem criar problemas para a atividade econômica do país".

O governo já havia anunciado na véspera um novo plano de estímulo de mais de 30 bilhões de dólares para garantir a saúde de sua economia e combater a disparada de sua moeda, o iene.

A ampliação das medidas de estímulo da economia japonesa é a primeira aplicada pelo primeiro-ministro de centro-esquerda Yukio Hatoyama desde sua chegada ao poder, em setembro, e valerá para o atual ano fiscal, que termina em 31 de março de 2010.

Foi o segundo plano de estímulo decidido no Japão neste exercício fiscal. O primeiro, de aproximadamente 15 bilhões de ienes (173 bilhões de dólares), foi lançado pelo então premiê conservador Taro Aso.

Por outro lado, o novo governo bloqueou 2,9 trilhões de ienes (33,5 bilhões de dólares) do primeiro plano, que eram destinados a combater o gasto excessivo do governo.

O governo de Hatoyama acusa os conservadores de ter dilapidado os cofres públicos com uma péssima gestão administrativa e obras inúteis de infraestrutura.

Após 12 meses de recessão - a mais longa enfrentada pelo país desde o fim da Segunda Guerra Mundial -, a economia japonesa voltou a crescer no segundo trimestre de 2009.

As autoridades temem, no entanto, que esta reativação econômica seja atrapalhada pela disparada do iene em relação a outras moedas, principalmente o dólar. A moeda japonesa alcançou sua maior cotação em relação à americana em 14 anos.

A força do iene prejudica a competitividade das indústrias exportadoras do país, ao encarecer os produtos fabricados no Japão vendidos em todo o mundo.

Este gasto adicional, entretanto pesará ainda mais nos cofres do Estado japonês, que já tem uma enorme dívida pública provocada pela série de grandes pacotes de estímulo lançados para recuperar a economia japonesa da "década perdida" dos anos 90.

O déficit público japonês chegou a 864,5 trilhões de ienes no final de setembro, o que representa cerca de 180% do PIB previsto para o ano fiscal 2009, segundo dados do ministério das Finanças.

bur-pn/cn

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