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Procurada por quatro grandes das finanças portuguesas, instituição se interessou pelo Espírito Santo para acessar África

O agravamento da crise financeira em Portugal trouxe, no início deste ano, executivos de quatro grandes bancos do país europeu para a sede do Banco do Brasil (BB), em Brasília. Eles vieram negociar com o vice-presidente da área internacional, Paulo Rogério Caffarelli, uma possível venda de ativos para o BB.

A instituição brasileira ouviu as propostas de Banco Espírito Santo (BES), Banif, Caixa Geral de Depósitos e Milennium BCP. Por ora, a resposta do BB é que agora não é o momento mais indicado para aquisição no turbulento mercado lusitano, regulado pelo Programa de Assistência Financeira a Portugal, acordado com a União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que cobra rigor das instituições repassar parte do fundo de resgate de € 12 bilhões do programa de salvação. A perda parcial de controle não é vista com bons olhos pelos banqueiros portugueses, que preferem rebaixar o valor de seus ativos para atrair um sócio de peso como o Banco do Brasil.

Conforme apurou o iG Economia , o BB ficou inclinado a intensificar as conversar com o BES. O Espírito Santo interessaria em função da posição mantida em países africanos de língua portuguesa - específicamente Angola e Moçambique, onde empresas brasileiras têm investido intensamente nos últimos anos. Além consolidar participação em um mercado com forte comunidade brasileira.

O BES recorreu ao Banco do Brasil após sofrer um revés acentuado no desempenho financeiro de 2011, quando o resultado operacional ficou em negativos € 108,8 milhões, contra positivos € 556,9 milhões em 2010. Procurado pelo iG Economia , o Espírito Santo não confirma a reunião com o Banco do Brasil.

A disposição em entrar no mercado africano com um sócio com expertise no continente está nos planos de internacionalização do BB. O banco chegou a negociar uma parceria com o BES e o Bradesco para entrar na África. A estratégia do banco é se instalar em regiões onde há brasileiros e, principalmente, empresas brasileiras. Não à toa, pagou US$ 6 milhões pelo EuroBank, sediado em Miami, e 51% do capital com direito a voto no argentino Banco da Patagônia por US$ 479,6 milhões. 

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