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Para Tulio Maciel, crédito imobiliário equivale apenas a 4% do PIB do País; em economias avançadas, relação supera 50%

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, rechaçou críticas que apontariam a existência de "uma bolha de crédito" no país.

Segundo ele, a diferença do Brasil em relação a outras economias é ter uma baixa participação do crédito imobiliário, hoje equivalente a 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Maciel lembrou que em economias avançadas, que ainda sofrem efeitos nefastos da crise de 2008, o crédito habitacional supera 50% do PIB.

"Algumas análises foram feitas pelo Banco Central e não vemos uma bolha. A participação do crédito habitacional no mercado de crédito brasileiro é bem pequena, em relação a outros países", afirmou ele.

Ele considera, ainda, que a evolução mensal de 1,6% no estoque de crédito bancário em maio, para R$ 1,8 trilhão, "um crescimento moderado".

Embora o volume global de crédito cresça 20,4% nos 12 meses até maio, ele mantém a avaliação de que as medidas macroprudenciais adotadas ao fim de 2010 estão tendo o efeito esperado, ou seja, de desaceleração do crédito.

"Nossa projeções apontam que o crescimento em 12 meses deve arrefecer no segundo semestre", afirmou ele.

Como exemplo de desaceleração no crédito, o BC indica o recuo de 5,3% na média diária das concessões gerais de crédito em maio, sendo menos 4,6% a pessoas físicas e recuo de 5,8% nas operações a empresas.

A inadimplência medida em atrasos superiores a 90 dias cresceu 0,2 ponto percentual no mês, para 5,1%, mesmo patamar de maio de 2010.

Maciel voltou a afirmar que o aumento da inadimplência "não preocupa" a autoridade monetária, tendo perspectiva de "acomodação". Ele justifica que tanto a renda quanto os níveis de emprego continuam em alta.

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