Tamanho do texto

Prefeitura espera ter em mãos a licença ambiental e o projeto básico para a obra em julho. Saneamento também recebe investimentos

Sobra de prédios altos impedem que banhistas tomem sol à tarde em alguns pontos da orla de Balneário Camboriú.
Dubes Sônego
Sobra de prédios altos impedem que banhistas tomem sol à tarde em alguns pontos da orla de Balneário Camboriú.
Balneário Camboriú pretende acabar com dois do dos principais problemas de sua orla, até meados de 2013. A prefeitura do município catarinense diz que só faltam a licença ambiental e o projeto básico para o início das obras que vão estender a faixa de areia, dos atuais 25 metros para 100 metros, e permitir que os banhistas tomem sol mesmo em pontos nos quais prédios altos fazem sombra à tarde. O projeto é orçado em R$ 70 milhões. Além dele, uma nova estação de tratamento de esgoto, prevista para ser inagurada em cerca de 60 dias, e a construção de canais para o escoamento de águas pluviais, deverão garantir a melhoria das condições de balneabilidade na cidade, nos próximos anos.

Leia também: Ex-reis do X-salada constroem maiores prédios do país

A ideia do alargamento da faixa de areia é antiga, tem mais de dez anos. Foi motivo de plebiscito na cidade – a aprovação superou os 70%, segundo a prefeitura – e ganhou corpo a partir de 2008, após a contratação de uma companhia americana para estudar os possíveis impactos do aterro sobre as características da praia. O uso de areia com granulação ou composição diferentes, afirma Auri Pavoni, secretário de planejamento, poderia mudar a topografia da praia e tornar a praia, hoje tranquilo, agitado e traiçoeiro. "Foi o que aconteceu em Copacabana", afirma.

No Brasil, há pelo menos dois exemplos emblemáticos de obras semelhantes a que está em fase final de planejamento em Balneário Camboriú. Ambos são da década de 1970: a ampliação das faixas de areia da praia carioca citada por Pavoni e das praias do Canto e do Canto da Jurema, em Vitória (ES).

Até agora, a etapa mais complexa foi justamente encontrar jazidas com as mesmas características da areia da orla de Balneário Camboriú, na quantidade necessária (3,8 milhões de metros cúbicos), o que aconteceu no ano passado – a jazida fica a aproximadamente 15 quilômetros da costa.

Leia ainda: Balneário Camboriú é o Guarujá do curitibano

Na etapa atual, de licenciamento ambiental e projeto básico, Pavoni acredita que serão consumidos cinco ou seis meses. Mas a obra só será iniciada neste ano se tudo estiver pronto antes de julho. Se ficar para depois, o temor é de que atrapalhe a temporada de verão.

Depois de ampliada a faixa de areia, a Prefeitura pretende reurbanizar toda a orla. É um projeto que poderá consumir mais algo entre R$ 30 milhões e R$ 100 milhões, dependendo do que for se decidir fazer, diz o secretário. São cogitadas a renovação de calçadas e quiosques, a construção de pistas de corrida e ciclovia, novas praças, mais árvores e quadras esportivas. A única certeza é que a avenida Atlântica, à beira mar, deverá ser mantida estreita como é hoje – tem apenas duas faixas de rodagem e é de mão única. O motivo, diz Pavoni, é o receio de que a cidade perca o contato com o mar.

Saneamento

Outro problema de Balneário Camboriú que a Prefeitura pretende solucionar em breve é o do esgoto, tanto pluvial quanto residencial. Segundo Pavoni, em 60 dias será inaugurada uma nova estação de tratamento de esgoto, com capacidade para atender 400 mil pessoas regularmente, e até o dobro em momentos de pico. Hoje, a infraestrutura atende de 80% a 85% da demanda, diz o secretário.

A solução do problema do esgoto pluvial, que afeta diretamente a qualidade da água do mar em dias de chuva - a sujeira e o lixo das ruas vai direto para a praia -, depende ainda da construção de uma galeria de captação de água pluvial do centro em direção ao Sul e da construção de um molhe paralelo ao costão que fica ao Norte. Obras estão programadas para este ano. "No ano que vêm, teremos água própria para banho todos os dias", afirma Pavoni.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.