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Se deixar o cargo em novembro, será o primeiro presidente do órgão que não foi recondizido ao posto após dois anos de mandato

A desistência do presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Arthur Badin, de concorrer a um novo mandato à frente do órgão antitruste foi uma saída honrosa para não enfrentar, mais uma vez, as resistências a sua atuação, que marcam seu mandato desde que assumiu o cargo há dois anos. As críticas persistem e se intensificaram no período. Tanto, que a notícia de que Badin voltará ao setor privado a partir de novembro, quando acaba oficialmente seu mandato, foi recebida por muitos como um "alívio".

Quem trabalha próximo a ele reclama da atuação centralizadora e de dificuldades de relacionamento com Badin. Conselheiros que preferem manter o anonimato criticam a impossibilidade de exercerem um trabalho de equipe. Eles também não escondem as divergências, mas sabem que, politicamente, não devem expressar publicamente suas opiniões. Até porque Badin permanecerá à frente do Cade por mais seis meses. A percepção do colegiado é a de que "pouca coisa mudará" até o final do ano, inclusive porque o desgaste entre os membros do Conselho já existe.

Quando teve seu nome indicado para o cargo, Badin foi considerado um "garoto prodígio", apesar de ter sido rejeitado por 16 senadores na sabatina do Senado e recebido 27 votos favoráveis. Chegou à presidência do Cade aos 32 anos, depois de ter passado pela SDE e pela promotoria do órgão de defesa da concorrência. A versão de que o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, o teria convidado para permanecer no cargo, mas que Badin teria recusado por questões pessoais, como ter um filho pequeno e a esposa morando em São Paulo, não convenceu a muitos hoje. Aliás, em conversas informais, ele já vinha citando esse fato como um impedimento, o que era lido como "plano B", caso não fosse reconduzido.

Uma fonte da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda garante que seu nome não teria apoio do órgão em uma possível recondução ao cargo. Ele será o primeiro que não será reconduzido no cargo. Em conversas informais, Badin expressou seu descontentamento em relação ao que chama de "campanha explicitamente contra" seu nome por dirigentes da Vale, em 2008. Nessa ocasião, quem concorria com Badin à presidência do Cade era o conselheiro Fernando Furlan.

Agora, com o anúncio da desistência, poderia se pensar que chegou a vez de Furlan assumir o cargo. Mas as coisas não são tão simples assim, como comentou uma fonte do Conselho. A fotografia atual é diferente da de dois anos atrás e tem como fato novo o processo eleitoral. Se ele fosse reconduzido, seria presidente nos dois primeiros anos do sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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