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Segundo o banco, turbulência atual nem se compara ao tamanho do problema que surgiria com perda da confiança em economias maiores

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As autoridades fiscais precisam agir rápida e decisivamente antes que outro "desastre" aconteça. A avaliação é do Banco para Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) e se refere à situação insustentável do déficit orçamentário em diversos países. "A turbulência em relação às crises fiscais na Grécia, Irlanda e Portugal se apagaria perto da devastação que poderia vir com a perda de confiança do investidor na dívida soberana de uma economia maior."

Para a entidade, os déficits fiscais foram apropriados para combater a crise financeira global, pois as políticas expansionistas ajudaram a impedir consequências mais graves. Entretanto, no período de recuperação, a manutenção de déficits elevados está se tornando "mais e mais perigosa". "O sentimento do mercado pode mudar rapidamente, forçando governos a tomarem medidas ainda mais drásticas do que seria necessário no início", diz o 81º Relatório Anual do BIS. "A consolidação fiscal não vai acontecer da noite para o dia, mas tem de começar agora."

Para serem críveis, recomenda o BIS, as medidas precisam resolver as fraquezas fundamentais da estrutura fiscal. Alguns países enfrentam as obrigações do envelhecimento populacional e o desequilíbrio na fonte de receitas. Muitas das mudanças necessárias levarão tempo para gerar déficits menores, daí a necessidade de ação imediata.

Atualmente, a Grécia é o país mais afetado pela crise de dívida. Segundo o BIS, há duas opções para lidar com a questão. Uma delas é a reestruturação do endividamento. "Mas os efeitos de um default parcial da dívida soberana seriam extremamente difíceis de controlar, especialmente em razão dos prejuízos com os quais os bancos teriam de arcar", afirma o relatório. A outra opção é a mutualização, pela qual os outros países da zona do euro "pagariam a conta" pelos membros com problemas. "A primeira opção seria difícil de administrar; a segunda, seria difícil de vender para um eleitorado europeu já cético."

Para o BIS, é preciso resolver os desequilíbrios estruturais existentes. Nos países que estão no centro da crise fiscal, isso inclui a redução do endividamento do setor privado para níveis bem inferiores aos vistos na metade da década passada.

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