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BRASÍLIA - O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse confiar que, a despeito da crise externa, o governo seguirá ampliando investimentos e reduzindo despesas de custeio da máquina pública em 2009. Ele não quis comentar sobre as perspectivas de dificuldades para o governo, se houver redução de receitas por conta da desaceleração da economia.

"Esse será um ano diferente dos anteriores, pois a ação do governo central será a de impedir efeitos mais fortes da crise", disse Augustin, ao lembrar que o governo fez ontem o bloqueio temporário de R$ 37,2 bilhões em recursos orçamentários.

O secretário também não quis aprofundar as indicações de que, se a arrecadação ficar menor, o governo poderia reduzir a meta de superávit primário de 3,8% do PIB.

"Mesmo atípico, este não deixará de ser um ano em que vamos atingir a meta fiscal" - afirmou Augustin. "Vamos fazer o primário adequado", continuou.

Ele divulgou hoje que a economia para o pagamento de juros da dívida da União, Banco Central e Previdência somou R$ 71,4 bilhões em todo 2008, superando a meta nominal de R$ 63,4 bilhões.

Somente em dezembro o governo central teve resultado negativo de R$ 20,02 bilhões, impactado pela emissão de R$ 14,2 bilhões em dívida para composição da poupança do Fundo Soberano do Brasil. "São recursos a serem usados, se necessário", disse o secretário do Tesouro.

Os investimentos totais cresceram 28% sobre o período anterior, atingindo R$ 28,26 bilhões ante R$ 22,1 bilhões em 2007. No montante estão contabilizados R$ 7,84 bilhões do Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que mais uma vez não cumpriu a meta de aplicação anual de R$ 13,8 bilhões.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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