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Com a retração do crédito e as perspectivas mais difíceis para a economia, a inadimplência nos empréstimos para pessoas físicas subiu pelo terceiro mês seguido, de 7,8% em novembro para 8,1% em dezembro, atingindo o maior patamar desde setembro de 2002. Entre as linhas que mais sofrem com o calote estão o financiamento de carros e o cheque especial.

No crédito para a compra de veículos, o porcentual das parcelas com atraso superior a 90 dias subiu 0,2 ponto porcentual ante novembro, para 4,3%. É o maior nível de inadimplência da série histórica iniciada em junho de 2000. Ao todo, os bancos têm R$ 3,5 bilhões em pagamentos com atraso superior a três meses nessa operação.

Segundo operadores do setor financeiro, a faixa de inadimplência é maior nos financiamentos realizados nos últimos três anos na compra de veículos nas faixas de preço de R$ 10 mil a R$ 25 mil, ou seja, modelos usados ou populares novos.

As marcas com maior índice de inadimplência, de acordo com esses operadores, são General Motors, Fiat, Volkswagen e Ford, respectivamente.

No cheque especial, o calote subiu 0,6 ponto e atingiu 10,6% no último mês de 2008. O patamar é igual ao registrado em dezembro de 2007, o maior da série histórica.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, avaliou que essa alta é resultado da dificuldade que as pessoas têm para rolar suas dívidas em um ambiente de crise. "Em um primeiro momento, o aumento na inadimplência ocorreu pelo encurtamento da liquidez, que torna mais difícil rolar os pagamentos."

Para ele, o movimento ainda não reflete o aumento do desemprego, iniciado em dezembro. Para os próximos meses, Altamir Lopes afirma que o nível de inadimplência deve se normalizar em um "prazo relativamente curto com o aumento da oferta de crédito no mercado."

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