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O novo ciclo de investimentos prometido pelas montadoras vai elevar a capacidade produtiva do Brasil em 1 milhão de veículos, o equivalente à produção total da Itália no ano passado. Até 2015, as fábricas brasileiras estarão aptas a produzir 5 milhões de veículos ao ano, ante 4 milhões atualmente.

O consultor da PricewaterhouseCoopers, Marcelo Cioffi, afirma que o Brasil "vai entrar num ciclo de crescimento jamais visto antes", cenário que será seguido pela indústria automobilística e virá a reboque do crescimento dos empregos e da massa salarial, fundamentos econômicos sólidos, Copa do Mundo, Olimpíada e pré-sal.

O fato de o Brasil estar entre os únicos três mercados mundiais que estão crescendo (junto com China e Alemanha) também tem facilitado a aprovação de investimentos por parte das matrizes.

Importante parcela dos aportes ficará com o desenvolvimento de produtos. "A concorrência continuará acirrada entre as marcas e os produtos precisam estar atualizados para serem competitivos", diz Cioffi.

Os investimentos mais significativos estão sendo anunciados pelas montadoras que estão no Brasil há mais tempo, em parte como proteção a uma possível chegada de novos competidores, seja com fábricas locais ou importações. Essas empresas, em geral, têm caixa próprio para aplicar no País, ao contrário das mais novatas, que dependem das matrizes e, diante da crise lá fora, estão mais cautelosas com os novos planos.

A Renault, que este ano conclui um plano de R$ 1 bilhão aplicado na fábrica do Paraná, não tem definido ainda um novo pacote para os próximos anos. A Volkswagen tem o maior plano, de R$ 6,2 bilhões para 2011 a 2015. "É o maior investimento desde a construção da fábrica de Curitiba (PR), em 1999", diz o presidente da empresa, Thomas Schmall.

A Ford aplicará R$ 4 bilhões nas fábricas brasileiras a partir de 2011, o maior plano quinquenal em 90 anos de instalação no País. "O que promove esse novo ciclo de investimentos são as perspectivas macroeconômicas a partir de 2010", justifica o diretor da Ford do Brasil e Mercosul, Rogelio Golfarb.

A GM anunciou um aporte extra de R$ 2 bilhões em julho. Do grupo das quatro grandes, só a italiana Fiat segue relutante. Segundo o presidente da montadora, Cledorvino Belini, em 2010 serão aplicados R$ 1,8 bilhão restante do programa de R$ 5 bilhões previsto para 2008 a 2010. A fábrica de Betim (MG) opera no limite de sua capacidade, de 800 mil carros por ano. "Temos formas de ampliar a produção, se preciso, e uma delas é usar a capacidade da fábrica de Rosário, na Argentina", diz.

Golfarb acrescenta que, além da competição interna, as empresas precisam enfrentar a concorrência externa pois, com o real valorizado, as importações ficarão cada vez mais acessíveis. O executivo ressalta que, além do automóvel em si, a empresa busca o aprimoramento de peças e matérias-primas.

Em 2010, a Ford vai equipar parte de sua linha de produtos com o motor chamado de Sigma, desenvolvido pelos engenheiros da empresa na Europa e no Brasil. Com tecnologia inédita, o propulsor garante maior potência ao carro, menor consumo de combustível e menos ruídos e vibrações. Será produzido na fábrica de Taubaté (SP), que recebeu investimento de R$ 600 milhões.

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