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População aproveita queda dos preços das casas devido à crise econômica para revender ou alugar esses imóveis

Para quem desconhece a situação, as pessoas que se amontoam todos os dias em torno das mesas de piquenique localizadas diante do prédio do tribunal do condado de Maricopa poderiam ser jurados ou pessoas à espera para pagar uma multa pendente. Elas aguardam fumando cigarros, bebendo grandes xícaras de café e falando em seus celulares, muitas vezes sussurrando.

Mas essas pessoas não estão esperando por um juiz, elas estão se preparando para dar lances em centenas de propriedades que são leiloadas semanalmente em uma das câmaras públicas mais ativas do país.

Leilão por propriedades atrai dezenas de pessoas ao condado de Maricopa, no Arizona
Joshua Lott/The New York Times
Leilão por propriedades atrai dezenas de pessoas ao condado de Maricopa, no Arizona
Durante o período de expansão imobiliária, quando as hipotecas eram executadas sem nenhum adiantamento e os preços estavam em alta, os leilões não tinham nenhum movimento. Mas, nos anos seguintes, os leilões cresceram em meio a uma situação econômica que possibilita que caçadores de pechinchas comprem casas muitas vezes por menos da metade do valor de sua hipoteca original.

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"Este é o capitalismo em sua forma mais crua", disse Brad Grannis, um representante da AZ Imóveis. "Um bem é apresentado e as pessoas atribuem um valor a ele."

Interessados se registram para participar do leilão de imóveis no Arizona
Joshua Lott/The New York Times
Interessados se registram para participar do leilão de imóveis no Arizona
Nos últimos meses, os leilões se tornaram mais competitivos devido a um fluxo maior de pessoas que estão aproveitando a queda dos preços das casas para revender ou alugar esses imóveis. 

Houve cerca de 2.296 vendas no condado de Maricopa no mês passado, 44% menos do que em dezembro de 2010, o ápice da queda de preço do mercado, de acordo com o Relatório Cromford, um boletim imobiliário.

Muitos economistas dizem que o mercado imobiliário tem um longo caminho a percorrer antes de se recuperar e que o declínio nas desapropriações se deve em parte porque os credores, muitas vezes sob pressão política, estão tentando trabalhar com as pessoas em dificuldades.

Mas os otimistas em Phoenix apontam para o declínio como um prenúncio de uma possível recuperação, mesmo que ainda provisória.

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"Chegamos a uma situação mais complicada do que qualquer outro lugar, exceto Las Vegas, e conseguimos superar a crise das hipotecas mais rapidamente", disse Mike Orr, pesquisador da Escola de Administração de Negócios da Universidade Estadual do Arizona e editor do Relatório Cromford. "Eu não sei se esta será uma recuperação significativa, mas mesmo se subirmos alguns pontos ela ainda pode ser considerada uma recuperação."

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