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Em Cannes, fundadora do Huffington Post faz defesa das mulheres e da vida desconectada da internet

“Em 2006, se tivessem dito que o Huffington Post teria a importância que tem hoje, eu teria pensado que era mais provável eu ganhar uma Palma de Ouro no festival de cinema de Cannes”, diz Arianna Huffington, fundadora do revolucionário canal de notícias online, durante o festival de propaganda que acontece na cidade da Riviera Francesa. “Tudo bem que é um festival avant garde [ experimental e inovador ], mas acho que não a ponto de dar uma Palma de Ouro para mim”, brinca.

Arianna:
iG
Arianna: "Confiança [no conteúdo] é o novo pretinho básico da internet"
Sempre tirando risos da audiência, Arianna falou sobre os novos pilares da internet, que para ela vive uma fase de maior maturidade. Um deles, afirma, é a confiança. “ Trust is the new black [ confiança é o novo pretinho básico ]”, diz. E explica: “existem milhões de pessoas postando conteúdo – mas elas são confiáveis?”

A pergunta retórica é, provavelmente, algo que ela própria precisou responder algumas vezes. Afinal, o HP publica um conteúdo bastante descentralizado – é quase uma rede de blogueiros. A discussão não é exatamente nova, mas Arianna abordou também pontos mais afiados, como a autenticidade – para ela, outro pilar da internet moderna. “As redes sociais ensinaram as pessoas a distinguir o que é real e fake na internet”, disse. “É por isso que as marcas não conseguem se esconder mais atrás de um lindo anúncio”, falou aos publicitários.

Arianna mencionou também a importância do engajamento online, outro pilar citado pela empresária. Como exemplo, falou dos levantes na praça Tahir e de algumas campanhas publicitárias onde marcas se mostraram comprometidas com causas, como a Coca-Cola e o uísque Chivas.

Por fim, fez uma pequena defesa das mulheres – e, para surpresa de alguns, da vida offline. Para Arianna, desconectar é tão fundamental quanto estar conectado. “Publicamos recentemente uma história sobre quatro mulheres de Nova York que confiavam religiosamente no GPS – e o aparelho acabou as levando para um pântano”, conta. “Há, claramente, algo errado com esse vício cego pela tecnologia”, diz.

“As pessoas realmente passaram a se importar com o stress. Mas, para os homens, desconectar e relaxar para ‘recarregar as baterias’ é uma atitude associada aos losers (perdedores)”, diz. “Caberá às mulheres redefinir isso. Se o banco se chamasse Lehman Brothers And Sisters, não teria havido o colapso: as sisters teriam tirado belas oito horas de sono e conseguido enxergar o iceberg antes de ele atingir o Titanic”, brincou, citando o evento que fez eclodir a crise econômica de 2008.

Tim Armstrong, CEO da AOL (empresa que promovia a palestra e, recentemente, comprou o Huffington Post ), concordou. “Offline é o novo online”, disse. Mas finalizou com uma provocação: “ontem, no hotel, meu filho estava espirrando água em todo mundo na piscina. Eu fiquei maluco – mas, pelo jeito, deveria apenas ter dito a minha mulher que cuidasse da situação, porque eu ia dar uma bela dormida de oito horas para recarregar a bateria”, disse, fechando o evento com mais risos no auditório.

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