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Empresários temem que competitividade brasileira aumente e isso leve a uma invasão de produtos "made in Brazil" na Argentina

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Os empresários argentinos estão preocupados com os eventuais efeitos que o pacote do plano Brasil Maior possam causar ao país. O anúncio em Brasília gerou em Buenos Aires temores de que a competitividade brasileira - velho pesadelo dos argentinos - aumente, e, consequentemente, intensifiquem os riscos de uma suposta "invasão" de produtos 'Made in Brazil' no mercado local. Fontes da União Industrial Argentina (UIA) afirmam que é preciso verificar qual será o impacto das medidas brasileiras nos denominados "setores sensíveis" da indústria argentina, entre os quais estão os calçados, têxteis, móveis e autopeças.

No entanto, o economista e ex-secretário de Indústria, Dante Sica, relativiza os temores: "se o plano do governo Dilma tiver sucesso e isso gere uma maior reativação econômica no Brasil, implicará na melhora de nossas exportações ao mercado brasileiro".

O ex-secretário de Comércio Exterior, Raúl Ochoa, disse ao Estado que, "caso o plano Brasil Maior funcione, seus efeitos não serão imediatos. Eles poderiam começar a ser sentidos no ano que vem na Argentina. Especialmente no que concerne aos bens de capital". Oficialmente a presidente Dilma Rousseff nada comentou sobre estes assuntos comerciais com a presidente Cristina Kirchner, quando esta esteve em Brasília na sexta-feira passada para uma visita de pouco menos de 24 horas.

Os temores argentinos são acompanhados pelo crescimento persistente do superávit que o Brasil possui com seu parceiro do Mercosul na balança comercial. Segundo um relatório da consultoria Abeceb, em julho o Brasil teve US$ 516 milhões de superávit na relação comercial com a Argentina. O volume implica em um aumento de 37% em comparação com o mesmo mês de 2010.

As exportações brasileiras para a Argentina em julho - as maiores da história da relação bilateral - foram de US$ 2,041 bilhões. Esse volume equivale a um aumento de 25,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. A compra de produtos Made in Brazil em julho colocou a Argentina no terceiro posto do ranking de maiores importadores mundiais do Brasil, atrás da China e dos EUA.

Na contra-mão, as vendas argentinas para o Brasil aumentaram 21,9%, chegando a US$ 1,525 bilhão. Nos primeiros sete meses do ano o Brasil teve um superávit de US$ 2,96 bilhões com a Argentina. No mesmo período do ano passado o superávit acumulado favorecia o Brasil em US$ 1,46 bilhão.

Entre janeiro e julho as vendas brasileiras para a Argentina aumentaram 32,2% em comparação com o mesmo período de 2010. Simultaneamente, as exportações argentinas para o Brasil cresceram 19,5% nos primeiros sete meses deste ano.

Competitividade

O empresariado argentino alerta para a baixa competitividade local causada por uma moeda nacional, o peso, que praticamente não alterou sua relação com a moeda americana nos últimos anos (ao redor de quatro pesos por cada dólar). No entanto, o Banco Central argentino desmente o argumento dos empresários em um relatório no qual sustenta que a competitividade do país é 45,6% melhor do que nos anos 90, quando o peso tinha uma paridade oficial de um a um com o dólar.

Segundo o BC, apesar da inflação argentina, o tipo de câmbio real preserva níveis elevados que favorecem a capacidade exportadora do país.

Além disso, o BC sustenta que o câmbio bilateral da Argentina com o Brasil é atualmente 53% mais alto do que o registrado nos anos 90.

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