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Buenos Aires, 27 out (EFE).- A Argentina reivindicou hoje que o Brasil libere a mercadoria em trânsito retida na fronteira entre os dois países e considerou como inaceitável que a passagem de caminhões argentinos seja interrompida sem aviso prévio.

A reivindicação foi feita pelo secretário de Relações Econômicas Internacionais da Chancelaria argentina, Alfredo Chiaradía, em reunião de uma hora com o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Mauro Vieira, cuja visita tinha sido pedida nesta segunda-feira pelo ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana.

"Colocamos a preocupação e a reivindicação de nosso Governo pela falta de transparência e de aviso prévio destas medidas que afetam muitos produtos perecíveis de diversas províncias argentinas", destacaram fontes oficiais argentinas.

"Estas decisões têm uma marcada assimetria com as tomadas pela Argentina, que são anunciadas com tempo" antes de entrar em vigor, apontaram.

As fontes insistiram em que, para a Argentina, a "falta de aviso prévio" é um dos pontos centrais da reivindicação diplomática.

Segundo elas, o Brasil explicou que tem um sistema pelo qual as mudanças nas licenças dos produtos "entram em vigor quando incorporadas ao sistema de informática alfandegário", o que, de acordo com a Argentina, "é muito danoso ao fluxo comercial".

"O Brasil tem mais de 4.500 produtos argentinos que poderiam receber licenças não automáticas", dizem.

"Isto é um enorme universo de produtos, mas, ao não avisarem previamente e ao começarem a ser executadas (as licenças não automáticas) apenas pelo seu ingresso no sistema de informática, estes problemas evitáveis são gerados", explicaram as fontes.

"Deste modo, se gera um sistema não transparente, porque não há certeza em relação aos fluxos comerciais", apontaram as fontes, ao destacar que "a natureza dos produtos perecíveis é um claro agravante".

Por fim, as fontes disseram que a decisão do Governo brasileiro chegou num momento crítico no ano, "já que agora é quando os comerciantes do Brasil estão estocando mercadorias para as vendas de fim de ano e do início do verão".

O ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, desceu o tom da controvérsia com o Brasil ao dizer que existem problemas em "apenas 6% dos produtos" do comércio entre os dois países.

"O Brasil é o parceiro comercial mais importante da Argentina.

Neste ano, a relação foi fonte de sustento para ambos os países e assim continuará sendo", afirmou.

Há duas semanas, o Brasil impôs licenças não automáticas para a entrada de produtos argentinos como alho, vinho, farinha de trigo, azeitonas, azeite e comida para animais, entre outros.

Agora, os exportadores argentinos desses produtos devem ter permissões especiais para vendê-los ao Brasil, o que pode demorar até 60 dias. EFE cw/bba

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