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Buenos Aires, 03- A produção de carne bovina na Argentina é recorde, as exportações dos cortes nobres se recuperam e o consumo per capita no mercado interno é histórico. Mas as projeções para 2010 são de que vai faltar carne.

No próximo ano, o país teria entre 3 milhões e 4 milhões a menos de novilhos, como consequência da seca e do conflito entre o setor agropecuário e o Governo que levaram os produtores a sacrificar fêmeas. A conta indica um déficit de carne bovina da ordem de 600 mil toneladas, o que levaria o consumo per capita dos atuais 73,2 quilos para um volume entre 61,2 a 58,2 quilos.

Os números são da Câmara de Indústria e Comércio de Carnes da Argentina (Ciccra). Em seu relatório anual, a entidade mostra que nos primeiros nove meses de 2009, comparados com igual período de 2008, o consumo interno subiu dos 70,3 para 73,2 quilos; a produção aumentou 11,6%, o que significam 2,67 milhões de toneladas, e as exportações, embora restritas, cresceram 56,7%, atingindo 421,82 mil toneladas, com receita de US$ 1,356 bilhão (valor FOB). O relatório diz que foram abatidas 1,2 milhão de cabeças a mais que em 2008, totalizando 12,2 milhões. Desse total, 650 mil cabeças eram fêmeas em idade de reprodução.

"A oferta exagerada de carne vai durar entre três a seis meses, depois vai faltar e os valores vão subir", disse o analista do setor de pecuária, Victor Tonelli. "O governo não divulga nenhum dado do setor desde novembro do ano passado porque o abate de fêmeas chega a 52% e vai faltar carne porque não há reprodução", explicou. Ele diz que quando o abate de fêmeas é maior que 40% "é sinal de que os produtores estão retirando seus investimentos do setor".

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