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BASILEIA - Representantes do Brasil e da Argentina entraram em choque hoje sobre desvalorização competitiva ? que Brasília estaria praticando, na visão de Buenos Aires, e que justificaria barreiras a exportações brasileiras naquele mercado. O Brasil e a Argentina se aprontam para condenar todas as formas de protecionismo na reunião de cúpula do G-20, das principais economias desenvolvidas e emergentes, em Londres no dia 2 de abril. Mas entre eles a questão é mais complicada.

Depois de ouvir uma autoridade argentina atacando o protecionismo hoje, no Banco de Compensações Internacionais (BIS), o Valor indagou se não havia contradição com o que está sendo adotado contra exportações brasileiras.

Essa autoridade, que prefere ficar no anonimato, defendeu a ação de Buenos Aires, dizendo que quando um parceiro faz "desvalorização competitiva, a consequência é que passa a crise para o vizinho".

A autoridade disse que no caso do Brasil a queda do real foi de 50% (de R$ 1,60 para R$ 2,40 em relação ao dólar), enquanto o peso argentino desvalorizou-se 20%.

O presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, respondeu logo depois em entrevista. ? "Não houve protecionismo cambial. O câmbio no Brasil é flutuante, o BC não controla a taxa de câmbio no país, e a taxa reflete a realidade dos fluxos de capitais e das expectativas de comércio. Não há o que se falar de protecionismo quando existe câmbio livre", afirmou.

Sobre pressões da Argentina, Meirelles disse que "da mesma maneira que a taxa de câmbio no Brasil atingiu patamar que os exportadores brasileiros julgavam prejudicial, houve patamares que algumas empresas de outros países julgam que não atendem a seus interesses. Mas a taxa de câmbio não é para atender interesse específico de nenhum setor, é flutuante e é adotado no mundo todo com grande sucesso".

(Assis Moreira | Valor Econômico para o Valor Online)

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