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O microcrédito e o apoio de políticas públicas municipais têm impulsionado o empreendedorismo nas classes de baixa renda no Brasil. A ajuda aos empreendedores por necessidade - que abrem um negócio por não ter alternativa de emprego ou renda - em três municípios paulistas foi estudada pelo administrador Henrique Flory, em mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

Uma das principais conclusões da pesquisa, que resultou no livro Transformando Necessidades em Oportunidades, é que os programas locais estão conseguindo alavancar a economia e melhorar a qualidade de vida da população.

"Um dos fatores que explicam isso é a capacidade das prefeituras em entender as demandas e vocações da região",diz Flory. O pesquisador analisou programas municipais de apoio ao empreendedorismo em São José dos Campos (SP), Tarumã (SP) e na subprefeitura do Itaim Paulista, na periferia de São Paulo. Segundo Flory, além da proximidade desses agentes do governo com a população, o sucesso das políticas locais estudadas decorre de outros motivos. Entre eles, o incentivo à organização dos empresários em associações, o auxílio de programas de microcrédito e o estímulo à educação empreendedora.

No Brasil, estima-se que existam hoje 4,81 milhões de empreendedores por necessidade, segundo o relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2008. "Eles não são sofisticados, mas também geram renda e emprego", diz Flory. A maioria dos entrevistados afirmam que sua qualidade de vida melhorou após a participação nos programas de incentivo pesquisados. Em São José dos Campos, essa foi a avaliação de 92% dos empreendedores; no Itaim Paulista, de 60% e em Tarumã, de 100%.

Mesmo que simples, as políticas executadas pelos municípios estão ajudando negócios que começaram de forma precária a se consolidar. A empresária Sandra Ferreira de Sousa, de 33 anos, se diz beneficiária de uma dessas iniciativas. Começou a vender doces e chocolates há dois anos, após deixar o emprego em uma instituição financeira. "Precisava encontrar uma fonte de renda."
Poucos meses após iniciar as vendas, passou a frequentar a Câmara de Animação Econômica, da subprefeitura do Itaim Paulista, onde mora. Ali, fez cursos de contabilidade - "aprendi a calcular direito o que era lucro, o que não era" -, marketing e empreendedorismo. Também passou a organizar uma feira de artesanato semanal no bairro, com outras 30 colegas. "Ganhamos uma vitrine. A clientela cresceu", diz Sandra. Segundo ela, sua renda mensal já é duas vezes maior que a do antigo trabalho.

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