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Depois de receber a francesa Christine Lagarde, o ministro se encontrou com o mexicano Augustin Carstens, que também é candidato

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta quarta-feira maior participação dos países emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI), incluindo maior representatividade dos latino-americanos no primeiro escalão do organismo.

Durante entrevista ao lado do candidato mexicano ao cargo de diretor-gerente do FMI, Augustin Carstens, em visita ao Brasil, Mantega reiterou que o apoio do país dependerá do compromisso com essas mudanças, e não da nacionalidade dos postulantes.

"Estamos fazendo aqui um jogo claro, estamos colocando em cima da mesa as nossas pretensões, os compromissos que nós queremos que sejam assumidos para que a nossa decisão seja embasada nesses compromissos, e não em algum acordo que esteja sendo feito", afirmou Mantega.

Carstens, que é presidente do Banco Central mexicano, disse concordar "100%" com a proposta de que os latino-americanos, México e Brasil em particular, devam ter maior presença no FMI.

O mexicano chegou ao Brasil dois dias depois de a outra candidata oficial ao FMI, a ministra das Finanças francesa Christine Lagarde, ter estreado sua campanha com uma visita a Brasília.

"Eu recebi muitas manifestações de simpatia", afirmou Carstens quando questionado sobre como via a viabilidade de sua candidatura. "No entanto, praticamente todos os países, com exceção da Europa, que está votando em bloco, estão esperando para ver todos os candidatos que surgirão."

Escândalo sexual no FMI

A corrida à liderança do FMI foi aberta depois que o francês Dominique Strauss-Kahn foi obrigado a se demitir do cargo sob acusação de estupro em Nova York.

Mantega afirmou que uma das prioridades do Brasil é que haja, até 2014, uma nova reforma no Fundo que promova um aumento acionário adicional dos países emergentes. O ministro também reivindicou maior representação de latino-americanos nas 24 diretorias do Fundo, e também na vice-presidência.

"O FMI tem que ser o espelho do G20 no seu nível de competência", afirmou Mantega em referência ao grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo. "O que nós mais queremos, e mais lutamos nesses últimos anos, foi pela reforma de cota e de voz. Nós avançamos nesse quesito, mas ainda há muito para avançar."

(Reportagem de Isabel Versiani e Raymond Colitt)

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