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Estudantes fazem manifestação em frente ao Senado pedindo anulação do projeto para aposentadoria

Os manifestantes que há mais de um mês protestam nas ruas contra a reforma das aposentadorias na França não se dão por vencidos, mesmo se hoje o projeto de lei passou pela penúltima etapa antes da adoção definitiva das novas regras. O Senado reiterou a votação realizada na sexta-feira, um procedimento protocolar previsto antes da promulgação do texto pelo presidente da República, Nicolas Sarkozy.

Diante do Senado, nos Jardins de Luxemburgo, em Paris, em torno de mil adolescentes e jovens participaram de uma manifestação pedindo a anulação do projeto. Com as férias escolares tendo iniciado no sábado, o volume de manifestantes era visivelmente inferior ao último protesto de estudantes, realizado na quinta-feira passada.

“Não é porque estamos em menor número que vamos desistir de lutar contra esse projeto. É o nosso futuro que está em jogo e ninguém vai aceitar calado a essa aprovação”, afirmou a estudante de Direito Evelyne Cazaux, 19 anos. Na opinião da jovem, mesmo se a reforma for aprovada, a mobilização é importante para deixar claro o descontentamento da população com a alteração lei. O projeto prevê o aumento da idade mínima para a aposentadoria, de 60 para 62 anos, e passa a idade necessária para a obtenção da pensão integral de 65 para 67 anos.

A organização policial em torno da manifestação estudantil foi intensa: os jovens foram mantidos isolados, distantes cerca de 100 metros da entrada do Senado. As ruas no entorno do prédio também foram bloqueadas, a fim de evitar qualquer tipo de vandalismo. A mobilização ocorreu sem incidentes.

Enquanto isso, os senadores ratificaram a aprovação do texto por 177 votos a favor e 155 contra. Comemorando o resultado, o ministro do Trabalho, Eric Woerth, afirmou que “essa reforma é fruto de um longo diálogo social”. “É uma reforma eficaz, completa, justa e sobretudo, indispensável. Ela vai modernizar o nosso sistema de proteção social em um momento crucial.”

Já o presidente do Senado, Gérard Larcher, fez questão de destacar que este foi o projeto de lei mais discutido da 5a República francesa, iniciada em 1958. “Foram 143 horas de debates intensos, a apreciação mais longa desde o início da 5a República”, disse Larcher, protegendo-se das críticas da esquerda segundo as quais o governo submeteu o projeto de forma arbitrária e sem ouvir a população.

Nesta quarta-feira, o texto volta para a Assembleia Nacional, onde já foi aprovado em setembro, para a sessão de ratificação. A promulgação do texto, no entanto, poderá ser adiada para a metade de novembro, já que um grupo de oposição decidiu hoje que vai recorrer ao Conselho Constitucional para tentar retardar a aplicação do projeto. Desta forma, o Conselho verificará se o texto está em acordo com a Constituição francesa. “Nós tínhamos dito que levaríamos a batalha até o fim e esse artifício faz parte da batalha”, disse um dos membros do grupo Socialista, Radical e Cidadão, deputado Jean-Marc Ayrault.

Apesar da manobra, a tendência é a de que situação volte ao normal na França ao longo da semana, diante da aprovação do projeto no Parlamento. Em relação à falta de combustíveis, que persiste, o ministro da Ecologia, Jean-Louis Borloo, garantiu que, até amanhã, 80% dos postos de combustíveis devem ser reabastecidos. No final de semana, depois de uma melhora provisória registrada na sexta-feira – véspera das férias escolares no país -, a penúria de diesel e gasolina voltou a ficar crítica. Hoje, no entanto, cinco refinarias decidiram terminar a greve e voltaram ao trabalho, dentre as 12 existentes no país e que participavam dos protestos. Situação semelhante acontece nos transportes: hoje, no máximo 12% dos trabalhadores do setor ainda estão em greve, contra 53% em 12 de outubro. Até mesmo nas universidades a situação começa a voltar ao normal. Dos 83 estabelecimentos franceses, apenas quatro permaneciam bloqueados.

Mesmo assim, os principais sindicatos CGT e CFDT, mantiveram as duas próximas datas de protestos, na quinta-feira e no dia 6 de novembro.

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