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Cancún (México), 21 mar (EFE).- O presidente do Banco Central (Bacen), Henrique Meirelles, afirmou hoje que ao Brasil não preocupa o desequilíbrio comercial entre Estados Unidos e China porque a economia brasileira cresce mais pela demanda doméstica do que pela externa.

Depois de participar da reunião do Instituto Internacional de Finanças (IIF), realizado hoje em Cancún (México), Meirelles declarou à imprensa que "o desequilíbrio global tem dois atores principais, que são China e Estados Unidos".

Ainda assim, o presidente do Bacen demonstrou cautela sobre a situação entre as duas grandes potências. "Estamos observando com cautela e atenção, como todos os demais países. Esperamo que o desequilíbrio entre eles dois se resolva com o tempo", acrescentou.

A China foi pressionada por várias nações a aumentar o valor de sua moeda, o iuane, que agora desvalorizado gera desequilíbrios entre o país asiático e outras grandes economias.

Os Estados Unidos, principalmente, pediram em reiteradas ocasiões à China que revalorize o iuane e reduza, assim, a avalanche de exportações baratas chinesas, acusadas de serem as responsáveis pelo enorme déficit comercial americano.

Para o Brasil, "esse desequilíbrio mundial tem algum tipo de influência, mas nossa economia atualmente é muito mais diversificada e está crescendo basicamente pela demanda doméstica, o que significa que estamos preparados para enfrentar esse tipo de cenário", explicou Meirelles.

O desequilíbrio comercial China-EUA "não é necessariamente nossa principal preocupação neste momento, mas é um fator importante para o futuro de qualquer economia", acrescentou.

Segundo o presidente do Bacen, "é difícil" que dois países "tão grandes como os Estados Unidos e China" aceitem que um "terceiro" ator, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou a Organização Mundial do Comércio (OMC), para fazer a mediação sobre esse tema. "É natural que seja uma negociação bilateral", manifestou.

"Evidentemente, o FMI exercerá no futuro um papel mais relevante, sobretudo no controle e vigilância, dando advertências e analisando os cenários. Mas no final do dia a solução virá como resultado de uma negociação entre esses dois países", disse.

Além deste assunto, Meirelles também comentou seu futuro político. Ele insistiu que ainda não decidiu se deixará o Banco Central para concorrer a um cargo político nas eleições de outubro.

"A decisão que vou tomar é se deixo o Banco Central ou fico nele após 3 de abril. Se ficar, não poderei concorrer a nenhum cargo eleitoral e ficaria no Bacen até o final do ano. Mas se decidir deixar o Banco, considerarei as opções que tenho", concluiu. EFE jd/sa

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