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Antes de responder à pergunta do título, vamos analisar primeiro o que o novo dado informa sobre o que se passou no Brasil depois que fomos atingidos pela crise internacional. E também algumas questões metodológicas relevantes para entender a diferença entre o que se esperava e o que ocorreu.

A queda acumulada no indicador dessazonalizado foi de 1,5%, do quarto trimestre de 2008, quando ocorreu a primeira queda, até o terceiro trimestre de 2009.

A revisão no crescimento do segundo trimestre em relação ao primeiro de 2009 (de 1,9% para 1,1%) foi acompanhada de revisão também no primeiro trimestre de 2009 e no quarto de 2008, no sentido oposto, de modo que a queda acumulada do indicador dessazonalizado, desde que começou o efeito da crise sobre o PIB até o segundo trimestre, pouco se alterou: passou de -2,5% para -2,7%, entre a divulgação do dado do segundo trimestre o a do terceiro.

Essas revisões são comuns e, especialmente no terceiro trimestre, podem ser maiores, pois o IBGE incorpora os dados das contas nacionais anuais de dois anos antes. Nesse caso, 2007, e também atualizações que tenham ocorrido em séries que são usadas para elaborar o PIB trimestral.

Essas mudanças alteram o movimento da série dentro do ano e, portanto, sua sazonalidade. Além disso, a introdução de um novo trimestre também altera os cálculos feitos para gerar a série ajustada, cuja variação é a mais comentada pelos analistas e imprensa. Nesse caso, alterou-se o tratamento dado ao quarto trimestre de 2008: antes, foi considerado ter havido uma mudança no nível da série naquele trimestre e, agora, considerou-se que não. Isso é feito com métodos econométricos e o IBGE divulga essa informação em seu relatório com transparência.

Como o dado do segundo trimestre anteriormente divulgado era de crescimento mais forte, os analistas olharam, principalmente, para a produção industrial do terceiro trimestre, já conhecida, e que tinha crescido mais do que no segundo. Puseram-na no liquidificador de seus modelos e obtiveram uma previsão de crescimento semelhante para o terceiro trimestre, o que indicava um ritmo mais rápido de recuperação.

Mais, ainda, o indicador da produção industrial de outubro sugeria continuidade do ritmo de crescimento no quarto trimestre, o que estava levando as apostas para o PIB de 2009 para o campo positivo, embora próximo de zero. Agora, com os novos dados, a projeção para 2009 recai no campo negativo, embora também próximo a zero.

Basta notar que, no acumulado até setembro, a queda do PIB em 2009 foi de 1,7% e, acumulado em quatro trimestres, de 1,0%. Essas últimas formas de medir o crescimento independem do ajuste para a sazonalidade e talvez sejam mais adequadas em momentos de grandes flutuações em que os métodos de ajuste ficam um pouco instáveis.

Para 2010, as projeções de crescimento caminhavam para a faixa entre 5% e 6% ou mais e, agora, devem migrar para a faixa entre 4% e 5%. Pelo menos até a próxima divulgação, em março de 2010, de novos dados do PIB trimestral.

Olhando, agora, não para o crescimento de 2010, muito influenciado pela baixa base de comparação de 2009 e caracterizado pela ocupação de capacidade ociosa, mas para a sustentabilidade do crescimento, uma variável importante é a taxa de investimento, que se pode calcular a partir dos dados do PIB.

No terceiro trimestre de 2009, ela subiu para 18%, depois de ter caído para 16% nos dois trimestres anteriores, após o pico de 20% no terceiro trimestre de 2008. Em 2007, a taxa de investimento parecia ter iniciado uma mudança de patamar, da vizinhança dos 15% a 16% para cerca de 19% ao final de 2008, no dado anual.

Com a crise, o dado acumulado em quatro trimestres está agora em 17%, mas o número do terceiro trimestre pode indicar a volta da tendência de elevação. A queda do PIB por causa da crise internacional concentrou-se nos investimentos e no comércio exterior. O consumo presente das famílias pouco sofreu. Mas o futuro depende do investimento hoje. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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