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O economista e presidente do Ibmec São Paulo, Claudio Haddad, avalia que os números do Produto Interno Bruto (PIB) do 4º trimestre indicam que a recessão será mais longa e profunda do que se esperava. O que o PIB sinaliza para 2009? O que passou, passou.

Não adianta ficar olhando o passado. Mas tudo indica que a recessão será mais longa e mais profunda do que se esperava. Antes, havia a expectativa de que o PIB deste ano ia crescer ao menos 3%. Agora, a maioria dos analistas já espera um PIB próximo de zero ou negativo.

É possível amenizar esse efeito?

O BC vai continuar reduzindo os juros. Também se deve levar em conta que as empresas vão se ajustando aos novos níveis - por exemplo, preços de commodities. Ou seja, o sistema econômico se adapta. O Brasil tem condições de se adaptar muito mais cedo do que os países desenvolvidos, pois seu sistema financeiro ficou praticamente intacto. Em compensação, é ilusão dizer que o Brasil não vai sofrer, que vai continuar crescendo.

Como vê a pressão sobre o BC para baixar o juro?

Confio no BC, que tem tido atuação impecável. Tem baixado o juro quando tem de baixar e subido quando tem de subir. Sempre se pode criticar aqui e ali, mas, no geral, está indo muito bem. O que ocorre hoje é até meio desagradável. Fica parecendo que no BC há um bando de perversos ou ignorantes. Devemos dar um crédito de confiança.

É possível ter política anticíclica para amenizar a desaceleração?

Há espaço na política monetária. Mas, no lado fiscal, eu tomaria muito cuidado. Há uma expansão de incentivos, gastos correntes, etc que pode atrapalhar muito a política fiscal nos próximos anos.

Se o BC, na sua opinião, faz o que deveria e a política fiscal não pode se expandir muito, a desaceleração é inevitável?

Não tem como evitar porque, dos componentes de demanda, dois caíram fortemente. Exportações, em razão da situação externa, que causou uma queda de preços e quantidade. E investimentos. Apesar das expectativas otimistas do governo, os empresários têm sua maneira de pensar. Eles veem o mundo todo se espatifando aí fora e não vão fazer grandes investimentos. A terceira componente, que é o consumo, não caiu tanto. De qualquer forma, a queda nos outros dois é tão forte que o PIB vai ter de se reduzir. Não adianta querer evitar tudo. Essa fase passa. A transição brasileira será muito mais rápida do que nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que inclui, entre outros, EUA, Japão e França).

Concorda com a avaliação recente do governo, segundo a qual o Brasil entrou por último na crise, mas sairá primeiro?

Tendo a concordar, porque acho que o Brasil, estruturalmente, foi bem menos afetado. Está aí o sistema financeiro (saudável), o Banco Central tem espaço na política monetária (o que não ocorre nos países da OCDE, que já reduziram o juro para perto de zero e, mesmo assim, têm um sistema financeiro quebrado). As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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