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O professor da Universidade Princeton e prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, é um dos incontáveis investidores estrangeiros que aplicam parte de seus recursos no Brasil. Mas já começa a pensar em tirar dinheiro do País por causa do otimismo, para ele, excessivo com a economia brasileira.

"O Brasil não será uma superpotência amanhã, mas os investidores já estão colocando essa possibilidade nos preços dos ativos", afirmou. Krugman, que fez ontem palestra em um evento em São Paulo, disse que tem aplicações em fundos que investem na moeda brasileira.

O prêmio Nobel ressaltou que o atual fluxo de capitais para o País é "uma bolha", mas não manifestou se ela vai estourar nos próximos meses. Na sua avaliação, o ingresso maciço de recursos no País é fruto de uma avaliação exagerada dos investidores internacionais.

Por causa desse fluxo, Krugman alertou que a valorização da taxa de câmbio brasileira "é um problema real e, se for mantida no atual nível - por um prazo duradouro -, pode prejudicar a economia nacional".

Ele referiu-se especialmente aos efeitos negativos sobre as exportações e ao agravamento do déficit em conta corrente. "O nível atual do câmbio é semelhante ao registrado no início de 2008, quando os preços das commodities estavam muito elevados. Isso não é saudável", observou.

O professor reconheceu que é difícil, para qualquer governante, lidar com uma situação dessas. "Talvez seja o caso de as autoridades brasileiras dizerem aos investidores: Estamos melhor do que antes, mas não tão bem", brincou.

Do ponto de vista prático, ele sugeriu que o governo brasileiro aumente o ritmo de compra de reservas - "ainda que não queira fazer isso". O Ministério da Fazenda tem defendido que o Banco Central (BC) adquira ainda mais reservas para tentar sustentar a cotação do dólar. No entanto, o BC argumenta que, quanto maiores forem as compras, mais seguro fica o País e mais capital atrai.

TAXAÇÃO
Ele também não mostrou oposição aos impostos sobre o ingresso de capitais no País, como o governo fez recentemente com a alíquota de 2% de IOF sobre o investimentos estrangeiros em ações e títulos públicos. Mas observou que a medida não está "funcionando muito bem".

Krugman afirmou que os Estados Unidos devem registrar modesta expansão em 2010 e manter o alto nível de desemprego. "Acredito que o crescimento deve ser próximo de 2%. Contudo, os estímulos fiscais realizados pelo governo foram insuficientes e devem perder fôlego no segundo semestre do próximo ano. Dessa forma, acredito que o desemprego deve se manter no nível de 10% em 2010, na melhor das hipóteses" afirmou.

Para ele, esse cenário de fraqueza deve fazer com que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mantenha a taxa de juros em zero nos próximos dois anos. Na avaliação do acadêmico, o presidente Barack Obama precisaria injetar um montante entre US$ 200 bilhões e US$ 300 bilhões para reanimar a economia do país.

"Seria necessário que o estímulo total atingisse uma marca próxima a US$ 1 trilhão", disse. "Esses recursos deveriam ser aplicados basicamente na criação de empregos por algumas vias, entre elas a geração de vagas no setor público, redução de impostos e ajuda a governos regionais para contratações."
DESEMPREGO NOS EUA
Krugman ressaltou que o atual nível de desocupação nos EUA é muito sério, pois não permite que as famílias retomem com rapidez o consumo, que seria o principal elemento a incentivar os investimentos nas empresas. "Como nos EUA não há uma rede de proteção social para quem perde o trabalho, normalmente é curto o período em que as pessoas ficam desempregadas. Infelizmente, a atual crise financeira foi tão séria que esse problema levará um bom tempo para ser solucionado."
Ele acrescentou que há 40% de chances de a crise internacional voltar a apresentar uma recaída intensa no horizonte de 12 meses. "Eu avalio que o double deep (duplo mergulho) ainda não é meu principal cenário, mas está perto de ser."

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