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Um dia antes de divulgar as demonstrações financeiras do ano passado, prevista para hoje, os principais executivos do Grupo Votorantim conversaram com o Estado. Na entrevista, Carlos Ermírio de Moraes, presidente do conselho de administração, José Roberto Ermírio de Moraes, vice-presidente do conselho, e Raul Calfat, principal executivo do grupo e homem de confiança da família Ermírio de Moraes, anteciparam os números e fizeram um balanço do comportamento da Votorantim na crise.

Os três também falaram do que esperam para este ano e sobre a disputa pela cimenteira portuguesa Cimpor. A seguir, alguns trechos da entrevista:

Lucro em 2009

Carlos Ermírio de Moraes: "Apesar de tudo que se falou, o grupo não perdeu o foco em suas iniciativas estratégicas. Foi um ano difícil, com os mercados conturbados, muita volatilidade, mas nós inauguramos quatro fábricas."
José Roberto Ermírio de Moraes: "O que mais contribuiu para o resultado do ano passado foi o mercado interno, que consumiu muito cimento e aços longos. E os metais, que estiveram no fundo do poço do final do ano até março ou abril, recuperaram os preços ao longo do ano. Todos os setores tiveram participação importante. Até o setor financeiro".

Raul Calfat: "Tínhamos previsto investir R$ 4,4 bilhões e acabamos investindo R$ 5,5 bilhões. Além dos projetos orgânicos, fizemos aquisições, como a compra da (fabricante de celulose) Aracruz e das ações que a Vale tinha na Usiminas."

Fibria

(Empresa resultante da compra da Aracruz Celulose pela Votorantim)
Carlos: "Naquele momento, no auge da crise com os derivativos da Aracruz, parecia que éramos lunáticos de fazer o negócio. Mas tivemos convicção de que não poderíamos abrir mão do negócio."

Lições da crise

Carlos: "Uma lição que fica é: nada é tão bom que dure para sempre, nem tão ruim que nunca acabe."

José Roberto: "Foi bom para testar nossa capacidade de reação. Mantivemos projetos importantes, aumentamos nosso share (participação de mercado), demos partida a novas fábricas."

2010

Calfat: "Nessa retomada dos mercados, o grupo está numa posição muito favorável. Ao longo de 2010, com as novas plantas e com a recuperação do preço das commodities, o Ebitda (geração de caixa) será mais expressivo que o de 2009. E, este ano, estamos investindo algo como R$ 4,5 bilhões."

Prioridades

José Roberto: "Precisamos estar bem posicionados em nossos principais negócios: metais, celulose e material de construção, como o cimento. Estamos ativos no processo de consolidação regional ou mundial, dependendo do negócio."
Calfat: "Cada negócio tem sua própria característica. No cimento, tem de estar perto do consumidor. É regional. Já na celulose é diferente, você tem as melhores condições por aqui, então produz no Brasil para exportar. Não é preciso produzir em outros países".

Cimpor (Cimenteira portuguesa, disputada pela CSN, Camargo Corrêa e Votorantim)

Carlos: "Nossa conversa era com a Lafarge (um dos acionistas da Cimpor), que estava disposta a sair da empresa. Tem oportunidade que você não procura, mas ela aparece e você precisa se posicionar. Foi ocaso da Cimpor."
José Roberto: "Comprar a participação na Cimpor faz todo sentido. Se queríamos aumentar nossa presença no mercado internacional, tínhamos de dar esse passo. A Cimpor atua em 13 países."

Calfat: "O que nos atraiu foi a possibilidade de internacionalização e o acesso a mercados que não conhecemos. Vai ser um veículo de crescimento da nossa empresa."

Belo Monte:

Carlos: "Sempre investimos em geração de energia, com o foco de controlar um insumo importante, estratégico em nossas operações. Precisamos ver se Belo Monte se justifica como negócio ou não. Estamos ainda vendo os números. Se não for competitivo, não estaremos lá. Estudamos Jirau e Santo Antonio ( hidrelétricas do rio Madeira), mas pulamos fora porque as condições do edital não eram favoráveis."

Diversificação

Carlos: "Não estamos atrás de novas áreas. Os setores em que atuamos são de capital intensivo. Nossos competidores nas áreas de cimento, aço, celulose, ou o que seja, geralmente atuam só num setor. Isso é um desafio enorme. Nossa tendência não é procurar áreas novas, pelo contrário. Temos de nos concentrar em nossos negócio que demandam muito capital."

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