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Após o fracasso das negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), o governo brasileiro confirma que vai partir em busca de novos acordos comerciais e não descarta a retomada do diálogo entre o Mercosul e os Estados Unidos. Outra prioridade será um acordo com a União Européia.

Mas o bloco europeu alerta que os problemas que surgiram na Rodada Doha não desaparecerão e, portanto, também prevê um processo difícil.

"A OMC era a prioridade, pois só aqui é que poderíamos tratar de subsídios. Mas agora vamos ter de nos concentrar em coisas que dão resultados. Não posso ficar pendurado aqui por mais quatro anos", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Questionado como veria a OMC a partir de agora, o ministro foi direto: "De longe".

Para muitos hoje em Genebra, o fracasso das negociações desta semana na Rodada Doha coloca em risco a credibilidade da OMC como o centro das negociações internacionais. Países em diversos cantos do mundo já alertam que irão buscar soluções bilaterais e o acordo entre regiões promete se proliferar. "Eu sempre disse que o processo com a UE recomeçaria", afirmou Amorim. Ele reconhece que o processo terá de partir de uma nova base. Mas a comissária de Agricultura da Europa, Marianne Fischer Boel, alerta que os problemas continuarão. "O que foi problemático aqui também será entre o Mercosul e a UE", alertou.

Alca

Sobre um acordo com os Estados Unidos, Amorim deixa claro que o modelo da Associação de Livre Comércio das Américas (Alca) não poderá ser repetido. Mas admite conversar. "Vamos ver com o Mercosul", disse. "Eu não excluo essa possibilidade. Mas não como vinha sendo proposto, em relação a leis de patentes e investimentos, não será fácil. Mas se houver uma tentativa realista, porque não?".

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