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Os presidentes dos bancos centrais dos principais países da América Latina descartaram a adoção de medidas conjuntas para enfrentar a crise financeira internacional, a exemplo do que ocorreu na Europa. Nossa conclusão é de que, na região, pelas características próprias do funcionamento do sistema financeiro e do grau de interação que temos com as economias maiores, o atual tipo de abordagem é o mais eficaz e o mais eficiente, disse o presidente do Banco Central (BC) do Brasil, Henrique Meirelles.

Além dele, participaram do encontro os presidentes dos bancos centrais da Argentina, do Chile, do México, da Colômbia e do Peru. O encontro ocorreu em Santiago de Chile. Meirelles explicou que a ação conjunta dos bancos centrais das maiores economias do mundo, realizada há algumas semanas, teve a finalidade específica de garantir liquidez em dólares e estava relacionada ao mercado financeiro internacional. Segundo ele, o modelo não seria aplicável à região.

Sobre a escalada do preço do dólar no Brasil e seus efeitos sobre a inflação, Meirelles lembrou que a moeda americana "apreciou-se em relação a quase todas as moedas do mundo, incluindo as latino-americanas". Ele destacou que a maioria dos países da região, inclusive o Brasil, não tem meta de taxa de câmbio e o objetivo dos bancos centrais é preservar a liquidez e o bom funcionamento do mercado de câmbio. "Estamos conseguindo essa preservação com êxito no Brasil, agindo a tempo."

Contrariando a informação de fontes do Ministério da Fazenda sobre a desistência da equipe econômica de perseguir o centro da meta de inflação em 2009, Meirelles afirmou que "o compromisso do BC é com a meta de inflação". Deixou, porém, aberta a possibilidade de revisões. "Certamente levamos em conta todas as evoluções do mercado, o impacto da economia nas projeções de inflação, os níveis de incerteza e o balanço de risco destas projeções. Vamos divulgar, no momento adequado, os nossos documentos oficiais à respeito, mas nosso compromisso é com isso: a manutenção da estabilidade de preços no País."

Sobre a preocupação com a escassez da oferta de crédito no País, Meirelles lembrou que "as medidas estão em andamento e uma boa parte do compulsório é liberada na medida em que haja a concessão de créditos". Ele citou como exemplo o caso da concessão de crédito para bancos médios e pequenos para que esses bancos possam continuar emprestando. "No caso das linhas de empréstimo com garantia de moeda estrangeira, nós também temos uma vinculação direta, onde os bancos são obrigados a conceder créditos diretamente." Segundo Meirelles, "o BC está monitorando cuidadosamente esse quadro e do mercado de crédito" e tomará as medidas necessárias para que seja preservada a integridade do sistema.

O presidente do BC brasileiro ressaltou que a região hoje tem uma situação fiscal melhor do que no passado. "A adequação do nível de reservas à conjuntura internacional, que é superior ao que havia no passado; as condições de funcionamento dos mercados estão melhor protegidas; a regulamentação prudencial tem avançado muito; e o que é importante é que a região dá mostra de que se encontra melhor preparada."

Para Meirelles, o risco que a região corre neste momento "está todo relacionado com a evolução do que ocorrer com os Estados Unidos".

O presidente do Banco Central da Argentina, Martín Redrado, mostrou-se alinhado com as declarações de Meirelles. "Falar de coordenação regional ainda é uma palavra que não qualifica essa reunião" destacou, afirmando que "cada um dos países tem uma particularidade". "Você sabe o fenômeno que ocorreu em Brasil, por exemplo, a quantidade de empresas que tomaram posição em mercado futuro. No México, há empresas que tomaram distintas posições de risco. Cada país tem reagido com o instrumento que conta."

Redrado relatou que cada país fez uma apresentação de todos os instrumentos monetários e financeiros adotados nas últimas semanas. "Coincidimos em que estamos em uma posição muito sólida."

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