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Brasília, 27 out (EFE).- A América do Sul precisa adotar medidas preventivas para evitar que a crise financeira internacional aumente a pobreza na região, segundo alguns dos ministros que participaram hoje em Brasília da reunião do Conselho Mercado Comum (CMC) do chamado Mercosul ampliado.

Entre os países que manifestaram tal preocupação está o Chile, cujo chanceler, Alejandro Foxley, propôs que os mecanismos financeiros regionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Corporação Andina de Fomento (CAF), aumentem os recursos para projetos de combate à pobreza.

Por sua vez, o ministro da Fazenda venezuelano, Alí Rodríguez, afirmou que a crise financeira é um "crime contra a humanidade", já que provocará um aumento da pobreza e da fome.

Rodríguez disse que seu país propôs uma reunião urgente na ONU para que a crise seja analisada e seja imposta uma sanção rigorosa aos "especuladores" que se apropriaram dos recursos dos correntistas e provocaram os problemas financeiros globais.

"Isto é um crime contra a humanidade porque a crise vai ser paga com o aumento da pobreza, o que já foi constatado pela FAO (Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação), segundo a qual já são 800 milhões de pessoas no mundo que passam fome", disse.

O assunto foi debatido na reunião que tiveram hoje em Brasília os presidentes dos bancos centrais e os ministros de Economia e Relações Exteriores dos países-membros do Mercosul ampliado (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru), que analisaram a crise financeira e estudaram medidas conjuntas para combatê-la.

Segundo Foxley, apesar de a atenção estar atualmente focada na crise de liquidez, a América do Sul tem que se antecipar e adotar medidas para evitar a crise social que se aproxima.

O chanceler chileno explicou que a América do Sul já está sofrendo com a queda dos preços das matérias-primas que exporta, "o que pode ter um impacto sobre o emprego e um impacto social negativo".

O ministro acrescentou que existe o risco de a situação social na região piorar.

Para evitar tais problemas, o Chile, segundo Foxley, sugeriu ao Mercosul o aumento do capital das instituições regionais de fomento na América do Sul, como o BID e a CAF, de modo que estas "possam oferecer mais rápido e em maior volume recursos para combater os impactos sociais da crise" e ajudar "a evitar retrocessos no combate à pobreza".

Foxley disse que o capital dessas instituições pode ser aumentado pelos próprios países da região, mas que também pode ser solicitado aos países mais ricos.

"Avançamos muito para reduzir a pobreza e não podemos ficar parados diante de uma crise que pode aumentá-la", disse. EFE cm/sc

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