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Mesmo com garantias da União Europeia e do FMI, Fitch já informou que rebaixará rating do país

A União Europeia (UE) se manifestou nesta sexta-feira aliviada e confiante de que poderá reverter a crise da dívida após o acordo firmado sobre o segundo resgate à Grécia , mas a ameaça de uma falta de pagamento seletivo já preocupa o bloco europeu. "O que foi alcançado na cúpula é um excelente resultado, que põe a economia europeia em boas condições para superar a crise", afirmaram nesta sexta-feira funcionários da UE.

O alívio era notável nos corredores das instituições europeias, sobretudo depois que as bolsas da região reagiram positivamente às medidas, que por um lado preveem um plano de resgate à Grécia - com mais ajuda e condições mais favoráveis - e por outro oferecem instrumentos de estabilização e prevenção de crises.

A UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) terão que desembolsar 109 bilhões de euros no segundo resgate à Grécia, enquanto o setor privado, incluído pela primeira vez em um plano de ajuda, contribuirá de maneira "voluntária" com outros 50 bilhões de euros ao programa. Desta última transferência, 37 bilhões de euros virão de uma contribuição líquida e 12,6 bilhões de um programa de recompra de bônus gregos.

No entanto, a alegria da UE e das bolsas durou pouco: a primeira advertência dos mercados não tardou em ser divulgada. A agência de classificação de risco Fitch anunciou que situará a Grécia em "default temporário" (calote temporário) e rebaixará a qualificação creditícia de seus bônus ao nível de "falta de pagamento" no dia em que o período de oferta para trocar os bônus expirar. Desta forma, se trataria do primeiro calote da história da união monetária europeia.

Porém, segundo funcionários da UE, qualquer falta de pagamento seletivo teria uma duração "muito limitada". Ainda na quinta-feira, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse não acreditar que o segundo resgate possa ser considerado uma falta de pagamento, mas acrescentou que, em todo caso, os países do bloco "estão preparados" caso se chegue a este extremo.

De fato, os líderes da zona do euro incluíram garantias no plano de resgate para responder a qualquer falta de pagamento, diante da ameaça de Trichet de deixar de aceitar a dívida grega como aval nas operações de refinanciamento dos bancos gregos no caso da solução estipulada provocar uma declaração de moratória.

Por essa razão, a UE decidiu apresentar mais 35 bilhões de euros como garantia para facilitar aos bancos gregos o acesso ao financiamento durante o "breve" período que duraria essa qualificação de falta de pagamento, indicaram as fontes do bloco europeu.

De acordo com o Instituto Internacional de Finanças, até o momento 30 entidades financeiras aceitaram participar do segundo resgate à Grécia. Os bancos terão quatro opções de participação: três delas são diferentes formas de troca com descontos e diferentes prazos de vencimento (15 e 30 anos) e a quarta é uma troca de bônus, após seu vencimento, por outros de 30 anos. Os investidores terão que assumir uma perda do valor líquido de suas posições de 21%, mas a UE calcula que a contribuição do setor privado ajudará a reduzir a dívida pública grega em 12 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB), de um total de 160%.

Também ajudará a Grécia - além da Irlanda e Portugal - a ampliação dos prazos de vencimento dos empréstimos procedentes do fundo de resgate dos atuais sete anos e meio para um mínimo de 15 anos e um máximo de 30 anos, com um período de carência de dez e a redução das taxas de juros para 3,5%.

Os novos poderes do fundo de resgate estipulados na quinta-feira permitirão à UE prevenir futuras crises. O bloco poderá atuar por precaução com linhas de créditos preventivas, recapitalizar bancos através de empréstimos a governos e intervir no mercado secundário da dívida. Agora será preciso avaliar a necessidade de uma mudança legal ou a possibilidade de fazer as remodelações através de provisões. Além disso, a chamada "troika" - o BCE, o FMI e a Comissão Europeia - terá que negociar com Atenas um novo programa que, de acordo com a UE, é estimado para para depois do verão.