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Entidades adotam discurso unânime de crítica contra decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central

A alta de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros da economia brasileira, anunciada nesta quarta-feira, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve tirar cerca de R$ 3 bilhões do consumo das famílias e dos investimentos das empresas neste ano. Os cálculos são da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).

Nesta quarta-feira, após dois dias de reunião, o Copom elevou a taxa Selic a 11,25% ao ano, o maior patamar desde março de 2009. Foi o primeiro encontro do comitê sob o comando de Alexandre Tombini, que substituiu Henrique Meirelles na presidência do Banco Central.

“A medida é negativa e atrapalha o bom ritmo da atividade econômica do País, ao tornar os financiamentos mais caros, freando o consumo, ao mesmo tempo em que uma fatia importante da renda da população passa a ser transferida ao setor financeiro”, disse o presidente da Fecomercio, Abram Szajman, em comunicado.

Outras entidades também foram unânimes nas críticas sobre a decisão do Copom. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que a alta dos juros é “precipitada e compromete a capacidade de crescimento de longo prazo da economia”.

O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, pontuou que os efeitos das medidas de contenção do crédito adotadas em dezembro ainda não foram plenamente observados.

“A elevação dos juros é o caminho mais fácil de controle de preços, porém o mais prejudicial. O impacto recai unicamente no setor produtivo, afetando negativamente a atividade e o emprego”, disse.

Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o aumento da Selic “estimula ainda mais a entradade dólares e a consequente valorizaçãodo real”, impondo perdas à competitividade do produto nacional.

Trabalhadores

Entre as entidades que representam os trabalhadores, o discurso contra a alta da Selic também teve um tom crítico. “Os tecnocratas do governo insistem em colocar um forte freio na economia. Uma camisa de força no setor produtivo”, disse Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.”Não há justificativa para manter os juros neste patamar estratosférico, penalizando, dessa forma, o crescimento econômico”, completou.

Ricardo Patah, presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT), disse que “os trabalhadores são os mais prejudicados pela inflação, mas as experiências do passado nos mostram que não é com a taxa de juros nas alturas que se contém a elevação de preços”.

“O Brasil precisa de mais investimentos na produção para absorver o consumo, e a elevação da taxa Selic produz exatamente o efeito contrário, estimulando a especulação e aumentando o endividamento interno do País”, completou Patah.