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Bunge, gigante do agronegócio, vai usar tecnologia genética para transformar açúcar em óleo vegetal; fábrica substituirá R$ 255 milhões em importação

A usina Moema, onde ficará a fábrica de óleo:
Divulgação
A usina Moema, onde ficará a fábrica de óleo: "novas perspectivas para a cana", diz Pedro Parente, presidente da Bunge
Uma empresa de alta tecnologia do Vale do Silício (EUA) se juntou a uma gigante do agronegócio para fazer óleo vegetal em Orindiúva, cidadezinha de 6 mil habitantes do interior de São Paulo. A Bunge, companhia holandesa que chegou ao Brasil em 1905 e se tornou a maior exportadora agrícola do País, assinou ontem (10) uma joint venture com a Solazyme, especializada em produzir óleos através de algas modificadas geneticamente. O acordo cria a Solazyme Bunge Produtos Renováveis, que vai construir uma fábrica ao lado da usina de cana de açúcar Moema, da Bunge.

A fábrica vai custar R$ 180 milhões, ficar pronta no final de 2013 e empregar 80 pessoas. Ela irá transformar o açúcar feito na usina em “óleo de palmiste” – entre aspas porque, apesar de ser exatamente o mesmo óleo, não é feito de palma. O óleo será usado para abastecer a indústria brasileira de produtos de limpeza, que precisa dele para fazer detergentes e outros produtos. Será a primeira fábrica do mundo a produzir, em escala comercial, óleo do tipo para a indústria química. “Isso traz novas perspectivas para a cana no Brasil”, diz o ex-ministro Pedro Parente, presidente da Bunge.

A unidade produzirá 100 mil toneladas de óleo por ano, através da transformação de cerca de 300 mil toneladas de açúcar. O Brasil importa anualmente 400 mil toneladas desse óleo, 85% da necessidade do País, ao preço de US$ 1.420 por tonelada – isso no navio, sem contar o custo do desembarque. Através desses dados, pode-se dizer que a fábrica substituirá importações da ordem de US$ 142 milhões, cerca de R$ 255 milhões.

- Leia também: vespas da "empresa mais tecnológica do Brasil" reduzem custos do agronegócio

A produção de óleo de palmiste está concentrada na Ásia. A planta só cresce numa faixa de latitude 10º acima ou abaixo da linha do Equador. O Brasil produz apenas 15% do que consome, principalmente em fábricas localizadas no Pará. Empresas como a Agropalma, Petrobras e Vale atuam na região – as duas últimas, com produção voltada para o biodiesel.

A cerimônia de assinatura da joint venture teve a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, além de secretários de estado e executivos das duas empresas. “É a união de dois craques [as empresas], como uma dobradinha de Pelé com Neymar”, brincou Alckmin. “Orindiúva será a capital mundial da tecnologia em óleo vegetal”, disse.

A Bunge tem vinte instalações em São Paulo, entre elas três usinas de cana e dois terminais portuários. “Se a produção do óleo se confirmar viável, o plano é expandi-la para outras usinas do grupo”, disse Parente. “As fábricas podem fazer outros tipos de óleo, basta mudar a alga usada na produção”.

A Solizyme já usa óleos vegetais modificados para a indústria de alimentos na França e de cosméticos nos EUA – onde também fabrica, de forma experimental, querosene vegetal para a aviação. Fundada há dez anos por dois jovens do Vale do Silício, a empresa já soma R$ 600 milhões de investimentos em desenvolvimento tecnológico. É o primeiro investimento da companhia no Brasil.

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